Após agressão na Cidade de Deus, Os Hawaianos lançam “Dores de um Favelado” em resposta à Polícia Civil

’Dores de um Favelado’, do grupo Os Hawaianos

O grupo de funk Os Hawaianos lançam “Dores de um Favelado” nesta sexta-feira (10), em resposta à agressão sofrida pelo dançarino Gugu durante uma operação da Polícia Civil na Cidade de Deus, Zona Oeste do Rio de Janeiro. A música, que estará disponível nas plataformas digitais ao meio-dia, nasceu do episódio em que o artista foi detido e agredido por agentes da Core no mês passado.

Gugu contou que decidiu transformar a dor em arte. “A polícia entra e acha que todo mundo que mora na favela é bandido. A gente vai responder com música, com arte, do jeito que sabemos fazer melhor. Meu cabelo é vermelho há 18 anos, é a minha marca, e me chamaram de marginal por isso”, desabafou o dançarino.

O integrante Poltin, que também participa da composição, revelou que a letra foi escrita em parceria com o compositor Avelar. “Ele me mandou um verso inspirado no que aconteceu com o Gugu. A partir disso, colocamos tudo o que sentimos — a indignação, a tristeza e o desejo de mostrar que somos artistas, não criminosos”, explicou.

A nova canção surgiu após a Polícia Civil divulgar um vídeo nas redes sociais acusando Gugu de colaborar com o tráfico local. O material mostrava imagens aéreas de criminosos entrando em seu bar durante a operação, e a legenda afirmava que o local funcionava como ponto de venda de drogas. O dançarino negou as acusações: “Aquele vídeo é montado. Eu trabalho aqui todos os dias. As pessoas estão me julgando sem me conhecer. Nunca me envolvi com tráfico”.

Em nota, o grupo afirmou que a faixa é um protesto pacífico e um símbolo de resistência. “Mais do que uma resposta, essa obra é um grito de liberdade, de dignidade e de verdade. A arte é a nossa arma, e o amor pelo povo é o nosso motivo”, destacaram os artistas.

O videoclipe de “Dores de um Favelado” será lançado às 18h no YouTube. Segundo o grupo, o trabalho busca denunciar os abusos sofridos por moradores de comunidades e reafirmar o papel da música como voz de quem vive à margem.

O caso de Gugu ganhou repercussão nas redes sociais após vídeos mostrarem o artista sendo levado ensanguentado por policiais. Ele foi recebido pela Comissão de Direitos Humanos da Alerj, onde relatou ter levado socos, chutes e ameaças. O episódio, amplamente divulgado, reacendeu o debate sobre violência policial nas favelas e a criminalização de artistas periféricos.

Fenômeno do funk carioca desde os anos 2000, Os Hawaianos seguem ativos com shows e lançamentos, mantendo a essência do grupo: dançar, cantar e representar as comunidades que os inspiraram.

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