Aliada de Milei pede a Lula retorno de embaixador brasileiro à Argentina e acusa o Brasil de interferência eleitoral
A senadora argentina Patricia Bullrich, figura importante no governo de Javier Milei, fez um apelo direto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que o embaixador brasileiro Julio Glinternick Bitelli retorne ao posto em Buenos Aires.
A declaração surge em meio a uma escalada na crise diplomática entre Brasil e Argentina, após o governo brasileiro anunciar o rebaixamento do nível das relações bilaterais. O Itamaraty informou que Bitelli não retornará enquanto os ataques de Milei ao Brasil persistirem.
Bullrich também acusou o Brasil de interferir nas eleições de outros países latino-americanos, incluindo a Argentina em 2023, conforme informações divulgadas pelo portal Metrópoles.
Defesa de Milei e pedido de diálogo
Durante seu pronunciamento no Senado argentino, Patricia Bullrich defendeu o direito de Javier Milei de apoiar candidaturas presidenciais em outros países, incluindo o Brasil. Ela argumentou que o presidente argentino tem liberdade para expressar suas preferências políticas.
A senadora, no entanto, buscou se distanciar do tom mais agressivo adotado por Milei em suas críticas a Lula. Ela reconheceu a importância de ter cuidado com o vocabulário utilizado em debates políticos, especialmente em momentos de tensão.
Bullrich enfatizou que, apesar das divergências políticas e das declarações mais contundentes de Milei, é fundamental preservar as relações institucionais e estratégicas entre Argentina e Brasil. Ela pediu que a política não comprometa os laços históricos entre as duas nações.
Rebaixamento das relações diplomáticas
A crise diplomática entre Brasil e Argentina se intensificou após a participação de Javier Milei em um evento do Partido Liberal (PL) em São Paulo, onde o presidente argentino proferiu ataques diretos a Lula. Em resposta, o governo brasileiro decidiu rebaixar o nível das relações diplomáticas.
A representação diplomática brasileira na Argentina agora opera no nível de encarregado de negócios, indicando uma diminuição na importância atribuída às relações bilaterais no momento. O Itamaraty convocou o embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, para formalizar um protesto.
Buenos Aires, por sua vez, reagiu à decisão brasileira afirmando que a medida se baseia em “questões puramente ideológicas”. O governo argentino defendeu que as relações bilaterais devem ser pautadas pelos interesses permanentes dos dois países, e não por questões políticas ou pessoais dos governantes.
Apelo pela volta do embaixador
Em sua fala, Patricia Bullrich reiterou seu pedido para que o presidente Lula autorize o retorno do embaixador brasileiro à Argentina. Ela acredita que é essencial separar as questões políticas das relações institucionais e estratégicas que sempre caracterizaram a parceria entre os dois países.
“Eu peço ao presidente Lula e ao Brasil que volte o embaixador Bitelli à Argentina. Isso é o que nós queremos: que se separe a política das relações institucionais e estratégicas que Argentina e Brasil sempre mantiveram”, declarou a senadora argentina.
A senadora demonstrou preocupação com o impacto dos atritos diplomáticos na cooperação entre as nações em diversas áreas. Ela ressaltou que ambos os países estão trabalhando em muitas frentes conjuntas, e que essa colaboração precisa continuar.














