Adolescentes que têm dificuldades para dormir podem apresentar problemas mais graves

adolescentes e insônia

Algumas das maiores reclamações na atualidade são as dificuldades para iniciar o sono, acordar no meio da noite, ter pesadelos ou terror noturno. De acordo com estudos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), 72% dos brasileiros sofrem de doenças relacionadas ao sono. Porém, há um grupo em particular que se destaca: os adolescentes.

A Dra. Andrea Bacelar, mestre em neurologia, esclarece que se o jovem tiver dificuldade para iniciar ou manter o sono mais de três vezes por semana, por mais de um mês, isto é classificado como um transtorno e precisa ser tratado. No entanto, biologicamente, na adolescência, existe um atraso natural na fase do sono.

– É comum e natural o adolescente ter sono mais tarde e, claro, despertar mais tarde. Existe uma confusão entre não conseguir dormir, como se estivesse num fuso horário, e objetivamente ter a insônia. No adolescente, essa primeira situação, que é o ritmo de sono, é muito mais frequente. Neste caso não é insônia – explica a especialista em medicina do sono.

A questão é tão séria que a Associação Brasileira de Sono criou um manifesto na tentativa de alterar o horário de entrada escolar. Segundo especialistas, sabe-se que este grupo precisa dormir um pouco mais pela manhã.

– O adolescente vive em privação de sono, por isso estar em sala de aula às 7h faz cair o rendimento escolar. Ele cochila, dorme na sala de aula, ganha peso. Devemos respeitar seu ritmo. Nos Estados Unidos o início das aulas para os adolescentes é às 8h30, isto já é regra – destaca Bacelar.

Porém, a neurologista alerta que em vários casos a insônia acontece devido a transtornos de ansiedade e depressão, que geram preocupação excessiva. Alguns adolescentes apresentam falta de motivação, tristeza, choro fácil, isolamento, falta de vontade e junto disto o “não consigo dormir”. Devido ao preconceito e ao medo de falar, a situação pode tomar rumos alarmantes.

– O índice de suicídio nesta faixa etária é muito maior do que se pensa. Essa pessoa precisa procurar um especialista porque pode precisar de tratamento medicamentoso e terapêutico. Muitas vezes o adolescente está deprimido, desmotivado, não percebemos e ele não tem noção – alerta a Dra. Andrea Bacelar.

Andrea Bacelar – CRM 52.57416-5 – mestre em neurologia e especialista em medicina do sono – Clínica Bacelar – www.bacelar.com – Tel: 2574 1650

Limpatech