Um adolescente coordenou ataque com coquetel molotov contra um morador em situação de rua, ocorrido no Rio de Janeiro, e foi apreendido nesta quarta-feira (4) em Camaragibe, na Região Metropolitana do Recife. A operação foi conduzida pela Polícia Civil de Pernambuco e revelou que o jovem, de 17 anos, fazia parte de um grupo criminoso que atuava pela internet incitando crimes violentos.
Segundo os investigadores, o adolescente não apenas orientou a execução do ataque — cometido por outro menor — como também exigiu que a ação fosse transmitida ao vivo nas redes. A operação que resultou na apreensão foi batizada de End Game e investiga ainda outros crimes praticados por meio digital.
A polícia aponta que o grupo promovia “desafios” entre os integrantes, onde jovens precisavam cometer crimes como forma de provar valor entre os demais. O crime no Rio foi um desses desafios: o menor foi instruído a lançar um coquetel molotov contra um homem em situação de rua que dormia na calçada.
“Eles fazem desafios para a pessoa mostrar o valor que tem perante o grupo. Esses desafios consistem sempre em práticas criminosas, violentas. E foi o caso desse atentado no Rio de Janeiro, onde um adolescente foi orientado a jogar um coquetel molotov no morador de rua que estava dormindo, e toda essa ação foi transmitida ao vivo”, afirmou o delegado Joel Venâncio, responsável pela investigação, em depoimento ao portal g1.
Grupo também é investigado por racismo e pornografia infantil
Durante as investigações, a polícia descobriu que os envolvidos mantinham atividades que iam muito além da incitação à violência. O grupo é suspeito de praticar cyberbullying, coação, incitação ao crime, racismo, chantagens com conteúdo íntimo e até de disseminar material de pornografia infantil.
As chantagens teriam como alvo principalmente outros adolescentes. As vítimas eram coagidas a se automutilar, sob ameaça de ter fotos íntimas vazadas. Em muitos casos, o grupo explorava fragilidades emocionais para induzir os jovens à submissão e à participação nos crimes.
O adolescente apreendido também teria tentado invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), mais especificamente a base de dados de mandados de prisão. Esse ato reforça a linha de investigação que aponta para tentativas do grupo de interferir em sistemas governamentais.
Atentado em fevereiro foi o estopim das investigações
O crime praticado no Rio, em fevereiro, foi o ponto de partida para o aprofundamento das investigações. As imagens do ataque, que mostram o momento exato em que o coquetel molotov é lançado contra a vítima — um morador de rua indefeso —, causaram forte comoção nas redes sociais.
A partir do rastreamento digital, os investigadores chegaram ao adolescente apreendido nesta quarta. Ele será encaminhado ao sistema socioeducativo, enquanto a polícia segue tentando identificar outros membros da organização, que pode ter ramificações em outros estados.
As autoridades alertam para os riscos crescentes da radicalização e violência entre adolescentes através da internet, em especial em fóruns, chats e grupos com linguagens codificadas. O caso serve como alerta para famílias, escolas e responsáveis sobre o impacto de comunidades virtuais que incentivam o ódio e a violência como forma de pertencimento.














