O acervo do Dops no Rio começou a ser transferido para o Arquivo Público do Estado, em uma medida que busca garantir a preservação de documentos históricos ligados ao período da ditadura militar. A ação atende a uma recomendação do Ministério Público Federal (MPF) após a identificação de problemas nas condições de armazenamento.
Os registros estavam guardados no antigo prédio do Departamento de Ordem Política e Social, localizado no Centro do Rio de Janeiro. Durante inspeções realizadas no local, foram encontradas situações consideradas inadequadas para a conservação do material.
Entre os problemas identificados, estavam documentos armazenados em sacos de lixo, espalhados pelo chão e sem qualquer tipo de identificação. O cenário levantou preocupações sobre a integridade dos arquivos e o risco de perda de informações históricas relevantes.
Diante disso, foi instaurado um inquérito para apurar as denúncias e acompanhar as providências necessárias. A transferência do material passou a ser tratada como prioridade para evitar danos maiores ao acervo.
Ainda em julho de 2024, foi criado um grupo de trabalho responsável por avaliar o valor histórico dos documentos. A iniciativa reúne representantes de diferentes órgãos, incluindo o MPF, a Secretaria de Estado de Polícia Civil, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro (Aperj), o Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) e membros da sociedade civil.
Sob coordenação técnica do Arquivo Público, o grupo realizou um tratamento inicial da documentação, organizando listas e identificando materiais considerados de maior relevância histórica, especialmente aqueles produzidos durante o regime militar.
A expectativa é que, com a transferência, o acervo passe a ter melhores condições de armazenamento, preservação e acesso, contribuindo para a memória histórica e para futuras pesquisas.
O destino desses documentos agora abre espaço para novas descobertas e revisões sobre o passado — e pode revelar detalhes ainda pouco conhecidos da história recente do país.














