Na última terça-feira, a Prefeitura do Rio e o Governo do Estado anunciaram o Programa Tolerância Zero contra a exploração irregular do espaço público na orla da Zona Sul. Leme, Copacabana, Ipanema e Leblon. A operação começa no dia 16 de julho com 320 agentes por dia, 69 pontos de fiscalização, drones, câmeras e ação integrada entre a Secretaria Municipal de Ordem Pública, a Polícia Civil e a Polícia Militar.
Trabalho com turismo receptivo no Rio há 16 anos e posso dizer que essa é uma das melhores notícias que o setor recebeu nos últimos tempos.
A orla da Zona Sul é o cartão-postal mais valioso que a cidade tem. É ali que o turista chega, caminha, compra, fotografa e se apaixona pelo Rio. É ali que ele forma a primeira impressão que vai carregar para o resto da vida e contar para quem ficou em casa. E, durante anos, essa orla conviveu com uma estrutura que vai muito além do ambulante que vende mate na praia.
Os números divulgados pela Prefeitura são reveladores. Cerca de mil pontos de venda explorados ilegalmente, 22 depósitos clandestinos mapeados e um mercado ilegal que movimenta aproximadamente 100 milhões de reais por ano só com aluguel de pontos, barracas e equipamentos. Isso não é informalidade. É crime organizado operando à luz do sol, no coração do destino turístico mais famoso do Brasil, explorando trabalhadores que muitas vezes não têm outra saída.
O turista que chega ao Rio não sabe de nada disso. Ele só sente o resultado, o assédio na calçada, a insegurança na areia, o produto sem procedência, o espaço público degradado. E quando vai embora com uma impressão ruim, não é o ambulante que perde. São as empresas que trabalham dentro da lei, os hotéis, os restaurantes, os guias, os operadores, toda a cadeia do turismo carioca que paga essa conta.
Quem defende o trabalhador informal de verdade não defende a estrutura criminosa que o explora. Defender o trabalhador é exatamente o que esse programa propõe ao oferecer encaminhamento para qualificação profissional e vagas de emprego formal pelo portal Oportunidades Cariocas. Isso é política pública séria.
O Rio está num momento que não se repete com facilidade. Em 2025, a cidade recebeu 12,5 milhões de visitantes, movimentou 27,2 bilhões de reais na economia e bateu recorde de turistas internacionais com crescimento de 35,6%. Em 2026, o ritmo só aumentou. O Washington Post dedicou uma reportagem ao boom do turismo carioca. A Copa do Mundo está chegando. O mundo inteiro está olhando para cá.
Janelas como essa se fecham e, quando se fecham, demoram décadas para reabrir.
Ordenar o espaço público, recuperar a orla para quem mora e para quem visita, combater a exploração criminosa que se instalou na areia de Copacabana e de Ipanema não é questão de preferência política. É o mínimo que uma cidade que quer ser levada a sério no turismo mundial precisa fazer.
A orla da Zona Sul é de todos. Chegou a hora de cuidar dela como tal.
Bruno Mann é empresário e CEO da Brazil Connection Turismo Receptivo














