Rio de Janeiro é abençoado. Poucas cidades no mundo reúnem em um só lugar montanha, floresta, mar, cultura pulsante e uma história tão rica. O turista chega atraído pela beleza natural inegável, pela fama do Carnaval e pelo desejo de conhecer o Cristo Redentor. Mas o que o faz voltar?
O que garante que ele fale bem da cidade para amigos e familiares? A resposta é simples, mas parece ser o nosso maior calcanhar de Aquiles: a hospitalidade. Como turismólogo e profissional que atua diariamente no receptivo carioca, vejo de perto o encanto do turista ao chegar e, muitas vezes, a frustração ao ser atendido.
A verdade dura que precisamos encarar é que o atendimento no Rio de Janeiro, de forma geral, é péssimo. E isso não é um detalhe menor; é um problema estrutural que afeta diretamente a nossa competitividade como destino turístico global.
Temos o hábito de confundir simpatia com hospitalidade. O carioca é, por natureza, expansivo, alegre e informal. Isso é ótimo e faz parte do charme da cidade. No entanto, simpatia não substitui profissionalismo. Um sorriso largo e um “fala, meu chapa” não compensam um pedido errado no restaurante, a falta de informações claras em um ponto turístico, o atraso injustificado em um transfer ou a sensação constante de que o turista é um “gringo” a ser explorado.














