Wolney Queiroz, Ministro da Previdência, declarou guardar R$ 431 mil em casa

Wolney Queiroz, Ministro da Previdência,

Wolney Queiroz, nomeado para o cargo de ministro da Previdência, declarou à Justiça Eleitoral, em 2022, guardar R$ 431 mil em dinheiro vivo. A informação consta em sua última prestação de contas como candidato à reeleição para a Câmara dos Deputados — disputa em que não foi bem-sucedido. Apesar de não configurar, por si só, uma ilegalidade, a manutenção de quantias elevadas em espécie costuma acender alertas em órgãos de controle, como o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

A posse de valores em dinheiro vivo sem justificativa plausível pode indicar movimentações suspeitas. Em 2021, o Senado chegou a aprovar um projeto que restringe transações acima de R$ 10 mil e estabelece um teto de R$ 300 mil para valores guardados em espécie. A proposta, no entanto, segue parada no Congresso.

Wolney Queiroz não explicou publicamente os motivos para manter tal valor fora do sistema bancário. Além dos R$ 431 mil em espécie, ele declarou participação em três empresas e um apartamento em Caruaru (PE), avaliado em R$ 596,4 mil. O patrimônio total somava R$ 1,7 milhão em 2022, uma queda significativa em comparação com os R$ 2,2 milhões declarados em 2018.

Antes de assumir como ministro, Queiroz era o secretário-executivo da Previdência. Sua nomeação é atribuída ao ex-ministro Carlos Lupi, que deixou o cargo em meio à crise provocada por fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As irregularidades envolvem descontos indevidos de contribuições sindicais em aposentadorias e pensões.

Apesar de não ser formalmente investigado, Lupi foi alertado sobre o esquema e não teria adotado medidas eficazes. Em entrevista recente, o ex-ministro admitiu ter recebido notificações, mas tentou minimizar sua responsabilidade: “Tomei a decisão [de deixar o cargo] com a certeza de que meu nome não foi citado em nenhum momento nas investigações em curso”, disse ele em suas redes sociais.

A crise também resultou no afastamento de Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS, indicado por Lupi e agora investigado pela Polícia Federal. O caso abalou a imagem da pasta e gerou críticas à condução da política previdenciária.

A escolha de Queiroz como ministro da Previdência ocorre, portanto, num momento delicado para o governo federal, que busca recuperar a confiança da população em relação à gestão dos benefícios previdenciários. A indicação de um nome com histórico de forte ligação com a cúpula anterior da pasta levanta questionamentos sobre a possibilidade de uma efetiva mudança de postura frente às denúncias.

A posse de Wolney Queiroz está prevista para os próximos dias. O novo titular terá como desafio imediato apresentar medidas que aumentem a transparência e a eficiência do INSS, ao mesmo tempo em que enfrenta o desgaste provocado pela sucessão de escândalos.

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