O criminoso Wagner Teixeira Carlos, conhecido como Waguinho de Cabo Frio ou “Bigode da Favela do Lixo”, foi transferido para um presídio federal de segurança máxima por determinação do governador Cláudio Castro (PL). A decisão faz parte de uma ação emergencial do governo do Rio de Janeiro para isolar chefes do tráfico apontados como responsáveis por ordenar ataques e movimentar drogas e armas entre a capital e a Região dos Lagos.
Segundo informações das polícias Civil e Penal, Waguinho era o principal líder do tráfico na Favela do Lixo, em Cabo Frio, e mantinha forte ligação com o Comando Vermelho. Mesmo preso, ele continuava a comandar o esquema criminoso, coordenando ações violentas, distribuição de armas e o financiamento de ataques contra forças de segurança.
A lista encaminhada ao governo federal inclui outros nove nomes considerados de alta periculosidade, entre eles Rian Maurício Tavares Mota (Da Marinha), Roberto de Souza Brito (Irmão Metralha), Arnaldo da Silva Dias (Naldinho), Alexander de Jesus Carlos (Choque ou Coroa) e Leonardo Farinazzo Pampuri (Léo Barrão). Todos foram identificados como lideranças do tráfico que atuavam dentro e fora dos presídios estaduais.
Durante entrevista coletiva, Cláudio Castro afirmou que as transferências são uma resposta direta à escalada de violência registrada nas últimas semanas. “Tomei a decisão, acreditando que segurança pública se faz com integração, de solicitar ao governo federal dez vagas para transferência imediata desses criminosos de maior periculosidade”, declarou o governador.
Castro também criticou a falta de apoio das Forças Armadas em operações no estado. “Tivemos pedidos negados três vezes para o uso de blindados do Exército e da Marinha. Cada dia uma justificativa diferente. Mas seguimos fazendo a nossa parte, mesmo sozinhos”, afirmou.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública confirmou o atendimento ao pedido e informou que os dez líderes foram removidos para unidades federais sob regime disciplinar rígido. A pasta destacou que mantém cooperação permanente com o governo do Rio e destinou R$ 170 milhões para reforçar as ações de segurança pública no estado.
A transferência de Waguinho de Cabo Frio é vista por autoridades como um golpe significativo contra a estrutura do Comando Vermelho na Região dos Lagos. O grupo perdeu dois de seus principais articuladores em menos de 48 horas — Waguinho, agora isolado em presídio federal, e “VT”, líder de Arraial do Cabo, morto na megaoperação no Complexo do Alemão.
A expectativa das forças de segurança é que a remoção das lideranças enfraqueça a comunicação entre as facções e reduza os índices de violência em Cabo Frio e cidades vizinhas, marcadas por anos de disputas entre grupos rivais pelo controle do tráfico de drogas.














