Os recentes confrontos no Rio de Janeiro, com dezenas de mortos e uma cidade em estado de tensão, reacenderam o debate sobre os impactos emocionais da violência urbana na saúde mental dos brasileiros. Para a psicóloga e neuropsicóloga Patrícia Strebinger, o que estamos testemunhando é mais do que um problema de segurança pública — é um fenômeno de trauma coletivo.
Quando a violência se torna parte da rotina, o cérebro entra em modo de sobrevivência. Vivemos em alerta constante, como se o perigo pudesse surgir a qualquer momento. Isso desgasta emocionalmente e afeta desde o sono até a nossa capacidade de tomar decisões – explica a especialista.
A terapeuta ressalta que os efeitos não atingem apenas os moradores das comunidades onde os confrontos acontecem, mas também a população em geral e até turistas. O medo é contagioso. Mesmo quem não está diretamente exposto sente a insegurança, a impotência e o desamparo – completa.
A psicóloga lista algumas estratégias práticas para reduzir o impacto emocional diante de notícias e situações de violência, tanto para a população quanto para os profissionais de segurança e a sociedade em geral que acompanha os confrontos:
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Evite a exposição contínua a notícias violentas. Repetir imagens traumáticas reforça o medo.
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Pratique respiração consciente. Inspire profundamente, segure e expire lentamente — isso ajuda a acalmar o sistema nervoso.
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Mantenha rotinas e pequenos rituais diários. Eles devolvem ao cérebro a sensação de controle.
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Converse sobre o que sente. O silêncio alimenta o medo; falar alivia e organiza emoções.
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Proteja as crianças. Explique o que acontece com linguagem simples e assegure que há adultos cuidando da situação.
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Apoie os profissionais de segurança. Eles também precisam ser acolhidos emocionalmente.
Por fim, a psicóloga explica que, infelizmente, não é possível evitar completamente que situações como essa aconteçam, mas é essencial cuidar da saúde mental. A guerra do lado de fora pode nos ferir. Mas a guerra dentro de nós — essa sim, precisamos aprender a desarmar. Todo o resto está fora do nosso controle – conclui Patrícia Strebinger.














