O Clube de Voo Livre de São Conrado suspendeu todas as atividades na Zona Sul do Rio após a morte do coronel do Exército Álvaro Roberto Cruz Ferreira Lima, que caiu no mar ao saltar de parapente na última sexta-feira.
A decisão paralisa os saltos de asa-delta e parapente em um dos pontos turísticos e esportivos mais movimentados da capital fluminense. Quem costuma passear na Praia de São Conrado ou programou voo duplo nos próximos dias precisa ficar atento, pois não há previsão de liberação das rampas até a conclusão das avaliações de segurança e dos procedimentos de fiscalização do local.
O que provocou o acidente com o coronel em São Conrado
O coronel Álvaro Roberto Cruz Ferreira Lima realizava um voo solo na tarde de sexta-feira quando perdeu o controle do equipamento e caiu no mar na Praia de São Conrado. As informações preliminares levantadas pelas autoridades apontam que o parapente teria se enroscado em uma linha de pipa que estava estendida na área de aproximação do pouso. O impacto da linha na estrutura do parapente pode ter provocado o fechamento das tirantes de sustentação, impedindo que o militar mantivesse o controle do equipamento no ar.
Um bombeiro militar que estava de folga perto da praia percebeu a queda e correu para prestar o primeiro atendimento no mar. O resgate retirou o oficial da água e o encaminhou em estado gravíssimo para o Hospital Municipal Miguel Couto, localizado no bairro da Gávea. Apesar das manobras de emergência realizadas pela equipe médica da unidade de saúde, o coronel não resistiu aos ferimentos e teve o óbito confirmado. O corpo da vítima foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal, na região central do Rio, para os exames de necropsia.
O que já se sabe sobre a apuração das causas
Testemunhas que estavam no calçadão e na areia da praia no momento do acidente relataram ter visto o parapente boiando logo após o impacto com a água. Vídeos gravados por moradores e frequentadores mostram o equipamento flutuando na orla enquanto pessoas tentavam prestar socorro inicial antes da chegada das viaturas e ambulâncias do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro.
A suspeita de interferência de linha de pipa acende uma alerta antigo de praticantes de esportes aéreos no bairro. A presença de linhas com cerol ou linha chilena nas proximidades da rampa de descida representa risco permanente para quem utiliza a Pedra Bonita. Esse tipo de material pode cortar tirantes de sustentação de maneira instantânea ou travar os comandos da vela, deixando o piloto sem tempo hábil para acionar o paraquedas de emergência.
Como fica o funcionamento do voo livre na região
Com a suspensão imediata das decolagens decretada pela associação responsável pela gestão da rampa, nenhum salto comercial ou instrucional pode ser realizado no espaço de São Conrado. A medida atinge dezenas de instrutores credenciados, moradores da cidade e turistas brasileiros ou estrangeiros que reservaram passeios para este período.
A administração do clube informou que realiza avaliações internas para esclarecer a dinâmica da queda e revisar os protocolos de monitoramento na área de pouso. O retorno da navegação aérea no local depende de laudos periciais e do alinhamento com órgãos estaduais e municipais de fiscalização. Para quem comprou ingressos ou agendou voos para os próximos dias, a orientação é entrar em contato direto com a escola ou instrutor contratado para checar as condições de remarcação do serviço ou pedido de reembolso dos valores pagos.
Quem responde pelas investigações da morte
O caso foi registrado na 14ª Delegacia Policial, localizada no Leblon, que instaurou o procedimento para apurar todas as circunstâncias do acidente. Agentes da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro analisam imagens gravadas por celulares de testemunhas e buscam registros de câmeras de monitoramento instaladas na Avenida Prefeito Mendes de Morais e no entorno da praia.
Os investigadores vão ouvir depoimentos de testemunhas presenciais, dirigentes da associação de voo livre e socorristas que participaram do resgate na areia. O Exército Brasileiro acompanha as apurações da polícia e presta assistência aos familiares do coronel. Os laudos técnicos produzidos pela perícia e pelo Instituto Médico-Legal devem ser concluídos nos próximos dias para indicar se houve crime de lesão corporal seguida de morte ou homicídio culposo ligado ao uso proibido de cerol.
Como denunciar uso perigoso de cerol e pedir socorro
O uso de cerol ou linha chilena é proibido por lei em todo o estado do Rio de Janeiro devido ao risco grave que representa para pedestres, motociclistas e praticantes de esportes aéreos. A população pode denunciar locais de venda ou uso irregular desse material de forma totalmente anônima. O Disque Denúncia atende pelo telefone (21) 2253-1177, com atendimento disponível durante 24 horas todos os dias.
Em casos de acidentes com feridos no mar ou nas encostas, o socorro do Corpo de Bombeiros deve ser acionado de imediato pelo número 193. Para situações de urgência no trânsito ou na orla que exijam apoio policial, o telefone da Polícia Militar é o 190. O registro de ocorrências sem vítimas graves também pode ser feito online pelo portal oficial da Polícia Civil do Rio de Janeiro.
Foto: CNN Brasil















