Uma mulher foi presa em flagrante na quarta-feira (28) ao tentar entrar com mais de 200 gramas de drogas no Presídio Jonas Lopes de Carvalho, no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, Zona Oeste do Rio.
O entorpecente estava escondido no corpo da visitante e foi localizado durante a revista de rotina na portaria da unidade prisional, antes do início do horário de visitas.
Aparelho de raio-x flagra drogas em partes íntimas durante revista em Bangu
A prisão aconteceu quando a mulher passava pelos procedimentos padrões de segurança realizados pelos agentes do Grupamento de Portaria Unificada, conhecido como GPU. O scanner corporal acusou uma mancha fora do comum na região pélvica da visitante, levantando a suspeita imediata da equipe de plantão.
Ao ser questionada pelas policiais penais sobre o que a imagem mostrava, a visitante admitiu que transportava material ilícito. Em seguida, ela retirou voluntariamente um pacote contendo mais de 200 gramas de maconha e haxixe prensados, que seriam entregues a um detento que cumpre pena no local.
Após a confissão e a entrega do pacote, os agentes deram voz de prisão imediata. A mulher seguiu detida para a 34ª DP (Bangu), delegacia de plantão da região, onde a ocorrência foi registrada e a droga seguiu para perícia oficial. Ela foi autuada por tráfico de drogas qualificado e agora permanece sob custódia da Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen), esperando audiência de custódia.
Balanço da Operação Illicitus no sistema prisional do Rio
O flagrante faz parte das fiscalizações permanentes da Operação Illicitus, ação coordenada que começou em agosto para barrar o avanço de grupos criminosos dentro das cadeias fluminenses. A ordem é fechar o cerco contra a entrada de produtos proibidos nos presídios da capital e do interior.
Os números mostram a frequência dessas tentativas. Com a ocorrência desta quarta-feira, já chega a 24 o total de visitantes presos tentando entrar com materiais ilegais nas penitenciárias do estado. A ação não atinge apenas familiares: dois policiais penais também acabaram presos sob suspeita de colaborar ou facilitar o ingresso de itens ilícitos nos presídios.
Desde o início das vistorias reforçadas, as equipes da Seppen já apreenderam mais de 37 quilos de entorpecentes diversos e cerca de 1,7 mil aparelhos celulares. Esses aparelhos alimentavam a comunicação de presos com comparsas nas ruas do Rio de Janeiro e da Baixada Fluminense.
O que acontece com o cadastro de quem tenta entrar com material proibido
Quem tenta burlar a fiscalização penitenciária com drogas ou aparelhos eletrônicos perde imediatamente o direito de visitar pessoas detidas no sistema prisional estadual. Além de responder pelo crime na esfera penal, com pena de prisão que pode aumentar por ter ocorrido dentro de presídio, a pessoa tem a carteira de visitante suspensa por tempo indeterminado.
A Seppen abre um processo administrativo logo após o flagrante na delegacia da Polícia Civil. Enquanto esse processo não é concluído, o cadastro fica bloqueado em todas as penitenciárias do Rio de Janeiro. Isso impede o acesso a qualquer outra unidade prisional, mesmo que o preso seja transferido de cadeia.
Caso a condenação judicial seja confirmada pela Justiça, o cancelamento definitivo da autorização de entrada entra em vigor, sem possibilidade de renovação da carteirinha durante o período de cumprimento da pena imposta.
Como denunciar irregularidades no sistema carcerário
A circulação de telefones, armas ou drogas dentro dos presídios alimenta a violência e os conflitos armados nas ruas do Rio de Janeiro. Moradores, parentes de detentos e trabalhadores que saibam de esquemas de facilitação ou cobrança indevida podem repassar denúncias de forma anônima para as autoridades.
O Disque Denúncia do Rio funciona 24 horas por dia pelo telefone (21) 2253-1177, com garantia de sigilo da identidade do denunciante. Também é possível registrar informações pelo aplicativo oficial do Disque Denúncia RJ ou pelo canal de denúncias da Ouvidoria Geral da Seppen, que atende reclamações e informes sobre o comportamento de servidores públicos nas dependências dos presídios.















