PF investiga rede de imóveis de luxo, aeronaves e empresas na 9ª fase da Operação Unha e Carne

Policia Federal

Agentes cumprem quatro mandados na Barra da Tijuca; investigação aponta uso de familiares, empresas no exterior e até entidades religiosas para ocultar patrimônio

Agentes da Polícia Federal (PF) deflagraram, na manhã desta quinta-feira, dia 29 de outubro, a nona fase da Operação Unha e Carne, que investiga uma organização criminosa suspeita de utilizar empresas, familiares e terceiros para lavar dinheiro e ocultar bens de alto valor. Quatro mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), são cumpridos na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio.

Entre os endereços estão salas comerciais apontadas como centros administrativos e operacionais do grupo, além de um imóvel residencial vinculado a um dos principais operadores do esquema. Os policiais buscam documentos, equipamentos eletrônicos, registros contábeis e outros materiais que possam ajudar a identificar a origem e o destino dos recursos movimentados.

A nova fase é resultado de informações obtidas após a quinta etapa da operação, principalmente da análise de dados extraídos do celular de um dos investigados. O material revelou novos endereços, empresas e bens que estariam sendo utilizados para movimentar recursos e esconder o patrimônio da organização criminosa.

Segundo a PF, as investigações identificaram uma complexa rede patrimonial formada por imóveis de alto padrão, aeronaves executivas, veículos de luxo e empresas registradas em nome de familiares, colaboradores e pessoas aparentemente sem ligação com o grupo. Apesar disso, os bens continuariam sob o controle dos integrantes da organização.

Os investigadores também encontraram indícios de movimentações frequentes de dinheiro em espécie, transações financeiras de difícil rastreamento e utilização de empresas brasileiras e estrangeiras, inclusive em países com tributação favorecida.

Outro ponto investigado é a possível utilização de entidades religiosas e holdings patrimoniais para esconder os verdadeiros proprietários de bens milionários.

Investigação já levou à prisão de político e ex-chefe da Polícia Civil

A Operação Unha e Carne já atingiu políticos e integrantes das forças de segurança do Rio. Na oitava fase, realizada em 15 de outubro, a PF prendeu preventivamente o ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil), além do delegado Marcus Vinicius Amim Fernandes, ex-secretário estadual de Polícia Civil, e quatro policiais civis.

Na ocasião, os investigadores apontaram que a organização criminosa teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões em seis anos, utilizando uma rede de postos de combustíveis para lavar dinheiro. A Justiça determinou o bloqueio de bens e a suspensão das atividades de 112 empresas, incluindo 96 postos de combustíveis.

Canella, que recebeu 197.178 votos nas eleições deste ano e foi o segundo candidato mais votado para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), também enfrenta questionamentos sobre seu registro eleitoral. O Ministério Público Eleitoral recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após o Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) autorizar sua candidatura.

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