Victor Nussenzweig, um dos criadores da vacina da malária, morre aos 97

Victor Nussenzweig

O imunologista brasileiro Victor Nussenzweig, referência mundial nas pesquisas contra a malária, morreu na última segunda-feira (11), aos 97 anos, em São Paulo. Ao lado da esposa, Ruth Nussenzweig — falecida em 2018 —, ele desenvolveu estudos pioneiros a partir da década de 1960 nos Estados Unidos, investigando os parasitas do gênero Plasmodium, responsáveis por transmitir a doença.

O casal foi responsável por identificar a proteína circunsporozoíta (CS), presente na superfície do parasita, capaz de induzir resposta imunológica. Essa descoberta se tornou a base para vacinas como a RTS,S e a R21, hoje recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para crianças em áreas endêmicas da malária. No Brasil, a maioria dos casos se concentra na região amazônica e é causada pela espécie Plasmodium vivax, geralmente mais branda que a P. falciparum.

Formado e doutorado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Victor deixou o Brasil na década de 1960, após o golpe militar, e consolidou sua carreira na Universidade de Nova York, onde foi professor titular de Patologia. Colaborou também com a Fiocruz no desenvolvimento de vacinas nacionais contra a malária e realizou pesquisas sobre a Doença de Chagas.

Apaixonado pela ciência e conhecido pelo entusiasmo com que formava novos pesquisadores, Nussenzweig deixa três filhos — André, Michel e Sonia —, todos atuantes no meio acadêmico e científico.

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