Os vereadores do Rio de Janeiro passarão a receber um vale-refeição de R$ 1.739,29 por mês, benefício aprovado pela Câmara Municipal e oficializado no Diário da Câmara na última quinta-feira (16). O valor é equivalente ao pago aos servidores do Legislativo carioca e será concedido de forma integral, independentemente da frequência dos parlamentares nas sessões.
Segundo o documento oficial, o contrato com a empresa responsável pela emissão dos cartões foi assinado em 26 de setembro e custará R$ 2,1 milhões aos cofres públicos durante um período de 24 meses. Na prática, o valor representa cerca de R$ 217 por cada um dos oito dias, em média, de sessões no Palácio Pedro Ernesto.
O vale-refeição de R$ 1,7 mil se soma a uma série de benefícios já recebidos pelos vereadores, que contam com salários de aproximadamente R$ 18,1 mil, além de auxílio combustível, verba de manutenção de veículos, correspondências, selos e até locação de carros blindados.
Em nota, a Câmara de Vereadores afirmou que o benefício “segue o mesmo modelo adotado por outros órgãos públicos dos Poderes Legislativo, Judiciário e do Tribunal de Contas”, ressaltando que o valor é idêntico ao recebido pelos servidores da Casa. O comunicado defendeu ainda que a medida está “dentro do estabelecido pela Lei Orgânica do Município e em total transparência”.
A aprovação do novo benefício, entretanto, gerou ampla repercussão negativa nas redes sociais e entre eleitores, que criticaram o contraste entre os altos auxílios pagos aos parlamentares e a realidade financeira de grande parte da população carioca.
De acordo com a agenda oficial, as sessões ordinárias da Câmara ocorrem, em geral, das 16h às 18h, muitas vezes encerrando antes do horário previsto. Às quartas-feiras, as reuniões acontecem de forma híbrida, com parte dos vereadores participando de maneira remota. Após a repercussão do caso, a sessão desta quinta-feira (23) foi antecipada para as 10h30.
O novo benefício reacende o debate sobre moralidade, transparência e gastos públicos na Câmara Municipal do Rio, em um momento de forte cobrança por responsabilidade fiscal e ética na gestão do dinheiro público.














