As velhas guardas das escolas de samba foram oficialmente reconhecidas como patrimônio cultural imaterial do estado do Rio de Janeiro nesta terça-feira (2), data em que se celebra o Dia Nacional do Samba. O reconhecimento foi formalizado após sanção do governador Cláudio Castro, conforme publicação no Diário Oficial. A medida alcança homens e mulheres que preservam tradições, histórias e símbolos das agremiações.
O projeto de lei, apresentado pelo deputado estadual Dionísio Lins, determina que a presença dessas figuras seja valorizada como parte essencial da cultura do samba. O texto ressalta a importância de manter vivas as raízes do Carnaval e reconhecer sambistas históricos como guardiões da memória coletiva.
Tia Surica, uma das vozes mais emblemáticas da Velha Guarda da Portela, relembrou sua trajetória no grupo e definiu os integrantes como base estrutural das escolas.
“A velha-guarda é a espinha dorsal de uma agremiação. Se não fosse por seus componentes, não existiria escola. Me orgulho muito de fazer parte dessa equipe. Essa juventude curte muito a velha guarda e é uma satisfação grande, porque não somos eternos”, declarou a sambista de 85 anos.
Integrante da Portela desde 1980, ela contou que foi convidada pelo compositor Manacéia (1921-1995) após retornar a Madureira, onde nasceu e construiu sua história no samba. Desde então, tornou-se um dos principais nomes da agremiação e referência de respeito, disciplina e identidade cultural.
No próximo sábado, Dia do Trem do Samba — evento inspirado nas viagens de Paulo da Portela rumo a Oswaldo Cruz — as velhas guardas de Mangueira, Salgueiro, Império Serrano e Vila Isabel se apresentam na Central do Brasil. Em Oswaldo Cruz, a Velha Guarda da Portela será a atração do palco principal.
O decreto publicado pelo governo destaca o compromisso de preservar tradições, honrar mestres do Carnaval e reforçar o valor artístico desses sambistas que influenciaram gerações. Também classifica os integrantes das velhas guardas como “relíquias do samba”, símbolos vivos de uma cultura que continua pulsando nos terreiros, quadras e desfiles.
A sanção representa mais que um ato formal: torna-se um gesto de reverência à história, ao legado e aos laços comunitários que mantêm o samba vivo no tempo e na memória coletiva do Rio.














