A vacina do Butantan contra gripe aviária (H5N8) foi liberada para testes em humanos pela Anvisa. A nova etapa do estudo terá início nos próximos meses, com o recrutamento de 700 voluntários adultos e idosos. As fases 1 e 2 dos ensaios clínicos acontecerão em cinco centros de pesquisa espalhados por diferentes estados brasileiros.
A pesquisa será conduzida em etapas. Inicialmente, 70 adultos de 18 a 59 anos receberão duas doses do imunizante por via intramuscular, com intervalo de 21 dias. Após avaliação de segurança, mais 280 pessoas serão incluídas, com centros em Recife, São Paulo, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto e Belo Horizonte. Em seguida, será a vez de 70 idosos, com expectativa de incluir outros 350 participantes após nova análise positiva.
Segundo o Butantan, os testes em animais apresentaram resultados satisfatórios quanto à segurança e à eficácia da vacina. Agora, a meta é avaliar como duas formulações distintas se comportam em seres humanos e sua capacidade de induzir resposta imune.
Apesar de a gripe aviária em humanos ainda ser considerada rara — geralmente restrita a pessoas com contato direto com aves — o avanço do vírus para outras espécies, como vacas e humanos expostos a bovinos contaminados, aumenta o risco de mutações perigosas.
“O vírus já se transmite entre aves, mamíferos e até de mamíferos para humanos. A única etapa que ainda não foi comprovada é a transmissão de humano para humano, mas isso pode mudar, o que eleva o risco de uma pandemia”, alertou Paulo Lee Ho, gerente de Desenvolvimento e Inovação do Butantan.
O objetivo do instituto é preparar o Brasil para um possível cenário de emergência sanitária. Caso os resultados iniciais sejam positivos, o Butantan afirma estar apto a produzir até 30 milhões de doses em tempo hábil.
O acompanhamento dos participantes deve ocorrer até 2026, quando será finalizado o pacote regulatório a ser submetido à Anvisa, contemplando uma ampla faixa etária da população.














