O uso de linguagem neutra foi proibido no setor público após sanção do Governo Federal. A nova lei, aprovada pelo Congresso Nacional e assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, impede que repartições da administração direta e indireta da União, estados e municípios utilizem formas linguísticas que não estejam previstas na norma culta da língua portuguesa. A regulamentação surge após decisões do Supremo Tribunal Federal que vinham derrubando legislações estaduais e municipais sobre o tema por falta de diretrizes federais.
A linguagem neutra é associada a pessoas que não se identificam com os gêneros masculino ou feminino, incluindo variações como “todes”, “amigues” e “menines”. No entanto, essas formas não constam no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa nem nas regras oficiais de gramática. Ainda no início da atual gestão, ministros chegaram a ser alvo de críticas por utilizarem expressões desse tipo em eventos públicos.
O dispositivo que veta a linguagem neutra foi incorporado ao Projeto de Lei que institui o uso da chamada linguagem simples nos órgãos públicos. O texto foi elaborado pelo deputado Pedro Campos, com o objetivo de padronizar comunicações oficiais e torná-las mais acessíveis aos cidadãos. A proposta determina que informações sejam transmitidas de maneira objetiva, clara e estruturada.
A lei estabelece um conjunto de orientações para servidores. Entre elas estão redigir frases curtas e em ordem direta, evitar jargões técnicos sem explicação, priorizar palavras de fácil compreensão, evitar termos estrangeiros desnecessários, organizar o conteúdo em listas quando apropriado e colocar as informações mais relevantes no início do texto. Também há recomendações para evitar redundâncias, palavras imprecisas e construções que dificultem a leitura.
O texto ainda reforça exigências de acessibilidade previstas no Estatuto da Pessoa com Deficiência e incentiva testes com o público-alvo para garantir que a mensagem seja compreendida. As comunicações destinadas a povos indígenas devem contar, sempre que possível, com uma versão em português e outra na língua tradicional do grupo envolvido.
Com a sanção da nova lei, as diretrizes passam a valer para todos os níveis da administração pública, padronizando práticas e consolidando parâmetros para a comunicação oficial em todo o país.
Orientações definidas pelo Governo Federal para a comunicação oficial
De acordo com o portal R7, a nova legislação sancionada pelo Governo Federal estabelece uma série de orientações obrigatórias para servidores públicos em todas as esferas da administração. O objetivo é padronizar a comunicação oficial e garantir clareza, acessibilidade e objetividade nas mensagens dirigidas à população. As diretrizes reforçam a adoção da linguagem simples e definem práticas que devem ser seguidas na elaboração de documentos, comunicados, notas técnicas e demais textos institucionais.
As orientações são:
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Redigir frases em ordem direta.
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Redigir frases curtas.
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Desenvolver apenas uma ideia por parágrafo.
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Usar palavras comuns, de fácil compreensão.
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Utilizar sinônimos ou explicações quando houver termos técnicos ou jargões.
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Evitar palavras estrangeiras que não sejam de uso corrente.
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Não usar termos pejorativos.
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Escrever o nome completo antes de usar siglas.
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Organizar o texto de forma esquemática quando couber, usando listas, tabelas ou recursos gráficos.
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Ordenar o conteúdo para que as informações mais importantes apareçam primeiro.
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Não empregar novas formas de flexão de gênero e número que contrariem as regras oficiais.
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Priorizar frases na voz ativa.
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Evitar frases intercaladas.
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Evitar o uso de substantivos no lugar de verbos.
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Evitar redundâncias e palavras desnecessárias.
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Evitar termos imprecisos.
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Usar linguagem apropriada para pessoas com deficiência, conforme o Estatuto da Pessoa com Deficiência.
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Testar com o público-alvo se a mensagem está compreensível.














