TSE adia decisão sobre pesquisa AtlasIntel que gerou polêmica e pedido de suspensão
A ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), solicitou nesta sexta-feira (21/8) um novo prazo para examinar o pedido de suspensão da divulgação da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, realizada em maio. A pesquisa em questão indicou uma queda nas intenções de voto do senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Esta não é a primeira vez que a ministra pede vista do caso. Anteriormente, já havia solicitado mais tempo para analisar os detalhes. A decisão de adiar a análise ocorre após o ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE, suspender a divulgação da pesquisa de forma liminar. O caso agora aguarda análise do plenário para referendar ou não a decisão do presidente do tribunal.
O Partido Liberal (PL) entrou com o pedido de suspensão argumentando que o questionário da AtlasIntel foi elaborado de forma a induzir respostas prejudiciais a Flávio Bolsonaro, extrapolando os limites da verificação da opinião pública. A pesquisa foi divulgada em 19 de maio, após a vinda a público de conversas envolvendo o senador e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, sobre o financiamento de um filme. A pesquisa questionava os entrevistados sobre este caso.
Controvérsia sobre a metodologia da pesquisa AtlasIntel
Ao analisar o pedido do PL, o relator do caso no TSE destacou que a questão não se restringe a uma simples discordância metodológica. Ele ressaltou que há uma alegação objetiva sobre o possível uso do questionário como ferramenta de indução, especialmente devido à ordem das perguntas e ao uso de expressões com conotação negativa.
Com base nos elementos apresentados ao TSE, o ministro Kassio Nunes Marques observou a existência de “indícios relevantes de comprometimento da metodologia da pesquisa impugnada”. Ele também enfatizou que a concessão da tutela de urgência visa resguardar “a lisura do processo eleitoral e assegurar análise mais aprofundada acerca da regularidade do questionário e de critérios para a realização de pesquisas, quando houver indício de manipulação ou lesão à legitimidade do pleito“.
A decisão liminar do presidente do TSE considerou que há suspeitas de que o eleitor pode ter sido induzido a responder de determinada forma. Essa preocupação se baseia nos indícios de manipulação apresentados pelo partido.
Comparativo de pesquisas AtlasIntel revela queda de Flávio Bolsonaro
Uma pesquisa AtlasIntel realizada em abril mostrou Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados em uma simulação de segundo turno, com uma leve vantagem para Flávio, que detinha 47,8% das intenções de voto, contra 47,5% de Lula. No entanto, a pesquisa divulgada em 19 de maio apresentou uma mudança significativa nesse cenário.
No levantamento mais recente, Lula apareceu com 48,9% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registrou 41,8%. Isso representa uma queda de seis pontos percentuais para o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro entre os dois levantamentos, gerando a polêmica que levou à suspensão.














