A troca do xarope de milho por açúcar da cana na Coca-Cola, anunciada nesta terça-feira (22) para o mercado dos Estados Unidos, levantou questionamentos sobre os impactos na saúde. A mudança foi motivada por pressão política, incluindo o movimento “Make America Healthy Again”, liderado pelo secretário de Saúde Robert F. Kennedy Jr., e apoio do presidente Donald Trump.
Atualmente, a Coca-Cola vendida nos EUA é adoçada com xarope de milho rico em frutose, enquanto em países como Brasil, México e Reino Unido já utiliza açúcar da cana. Mas nutricionistas explicam que, apesar da diferença na composição, ambos os ingredientes são prejudiciais quando consumidos em excesso.
“Trocar o xarope de milho por açúcar da cana não representa um impacto significativo na saúde. Ambos são fontes de calorias vazias e estão associados a doenças como obesidade, diabetes e problemas cardiovasculares”, explica Lívia Horácio, nutricionista da Unifesp.
O xarope de milho contém maior concentração de frutose, que é metabolizada no fígado e pode favorecer o acúmulo de gordura no órgão. Já o açúcar da cana tem sacarose, formada por glicose e frutose em proporções iguais. “O problema não está em frutas ou fontes naturais de frutose, mas no consumo excessivo de açúcares concentrados em produtos ultraprocessados”, destaca a pesquisadora Isabela Gouveia, da USP.
A nova versão da bebida deve chegar às prateleiras dos EUA ainda neste semestre, mas especialistas reforçam que refrigerantes adoçados continuam sendo opções pouco saudáveis, independentemente do tipo de açúcar utilizado.














