O traficante Coronel, identificado como Bruno da Silva Loureiro e apontado pela Polícia Civil como mandante do assassinato de Sther Barroso dos Santos, permanece foragido após a operação realizada ontem na Vila Aliança, Zona Oeste do Rio. A ação conjunta das polícias Civil e Militar, voltada para capturar dois chefes do Terceiro Comando Puro (TCP), resultou em seis suspeitos mortos, a libertação de reféns e duas prisões, mas não alcançou os principais alvos: Coronel e José Rodrigo Gonçalves Silva, conhecido como Sabão da Vila Aliança.
Durante a ofensiva, policiais encontraram criminosos mantendo um pastor e uma criança como reféns dentro de um imóvel. Após intensa troca de tiros, as vítimas foram libertas sem ferimentos. Ainda na mesma operação, dois homens foram detidos ao sequestrar um ônibus e tentar bloquear a Avenida Santa Cruz com o veículo. Com eles, foram apreendidos uma pistola e drogas.
Segundo as forças de segurança, a operação foi planejada com base em informações de inteligência que indicavam o paradeiro dos chefes do TCP. A ação contou com efetivos da Subsecretaria de Inteligência da Polícia Civil (Ssinte), da Subsecretaria de Inteligência da Polícia Militar (SSI), da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e do Bope.
Quem são Coronel e Sabão da Vila Aliança?
Bruno da Silva Loureiro, o Coronel, possui uma longa ficha criminal que inclui tráfico, roubo, homicídio, porte de armas de uso restrito e receptação. Considerado violento e influente dentro do TCP, ele teria se escondido no Complexo da Maré, mas voltou a circular em áreas dominadas pela facção, como Vila Aliança e Coreia. Costumava frequentar bailes nessas regiões, onde reforçava sua imagem de liderança pelo medo.
O primeiro mandado de prisão preventiva contra Coronel foi expedido em 2019. Desde então, acumula novas acusações, incluindo participação em uma chacina no Parque de Madureira em 2021, quando três pessoas foram mortas e outras duas ficaram feridas. Em 2024, o Ministério Público voltou a denunciar Coronel por homicídio e organização criminosa.
Já José Rodrigo Gonçalves Silva, o Sabão da Vila Aliança, é apontado como chefe do tráfico na Vila Aliança e Coreia. Contra ele, constam ao menos dois mandados de prisão entre 2021 e 2023.
O caso Sther
Sther Barroso dos Santos, de 22 anos, foi espancada até a morte no mês passado após recusar-se a deixar um baile funk com um criminoso. Segundo a investigação, Coronel ordenou o crime, que foi executado por dois homens. A jovem foi torturada e abandonada sem vida na porta de casa, na Vila Aliança. Familiares relataram que Sther estava em um momento de conquistas pessoais, como a obtenção da carteira de habilitação e a mudança para um novo apartamento.
Impactos da operação na Vila Aliança
A ação policial transformou a manhã na Vila Aliança em um cenário de medo. O tiroteio intenso, o sobrevoo de helicópteros e a presença de forças especiais obrigaram moradores a se abrigarem em casa. Em uma creche da região, crianças foram deitadas no chão para se proteger dos disparos. Pais relataram dificuldades para buscar os filhos, já que a Secretaria Municipal de Educação informou que a operação teve início após o horário de entrada escolar.
Criminosos ainda ergueram barricadas e usaram ao menos seis ônibus para interditar vias importantes, o que afetou a circulação de linhas e paralisou parte do transporte ferroviário da SuperVia, interrompendo o trecho entre Senador Camará e Augusto Vasconcelos. A Prefeitura recomendou que motoristas evitassem os acessos pela Rua Coronel Tamarindo e pela Rua Doutor Augusto Figueiredo.














