Toque de recolher imposto por bandidos paralisa comércio na Penha pelo segundo dia

comércio na Penha

O comércio na Penha amanheceu novamente com as portas fechadas nesta quarta-feira (29), após traficantes ordenarem o fechamento de lojas pelo segundo dia consecutivo. O toque de recolher imposto pelos criminosos mantém o clima de medo entre os moradores e trabalhadores da região, ainda marcada pela megaoperação policial que deixou mais de 100 mortos nos complexos do Alemão e da Penha.

Segundo relatos de comerciantes, cerca de trinta estabelecimentos — incluindo farmácias, lojas de cosméticos e até uma agência bancária — suspenderam o atendimento desde a tarde de terça-feira (28), quando as ordens do tráfico começaram a circular entre os lojistas. “Houve ordem de fechar ontem à tarde. Hoje, novamente”, disse um funcionário de uma das poucas lojas abertas.

O calçadão da Rua dos Romeiros, tradicional ponto de passagem entre o Largo da Penha e a estação de trem, está praticamente deserto. O espaço, que costuma receber intenso movimento de pedestres e camelôs no início da tarde, amanheceu vazio, com todas as barracas recolhidas e nenhuma atividade comercial.

A Polícia Militar reforçou o patrulhamento na região, com viaturas posicionadas na Avenida Nossa Senhora da Penha, principal via de acesso à Vila Cruzeiro, e em frente ao Parque Shangai. Agentes também circulam com frequência pela pista exclusiva do BRT, nas proximidades da estação Penha, em tentativa de conter novos bloqueios ou ataques.

O ponto final da linha 721 (Cascadura x Vila Cruzeiro), que normalmente opera na Praça São Lucas — área onde moradores têm deixado corpos retirados da mata —, foi temporariamente transferido para o Largo da Penha. O cenário, de ruas vazias e comércio paralisado, reflete o clima de apreensão que ainda domina a Zona Norte após a operação considerada a mais letal da história do Rio de Janeiro.

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