A operação no Rio que deixou mais de 120 mortos nos complexos da Penha e do Alemão, na última terça-feira (28), gerou forte reação entre pesquisadores e acadêmicos. Núcleos de estudo das universidades federais do estado — UFRJ e UFF — publicaram notas de repúdio, criticando a condução das ações policiais e defendendo uma reformulação nas estratégias de segurança pública adotadas pelo governo fluminense.
O Núcleo de Estudos da Cidadania, Conflito e Violência Urbana (Necvu), vinculado ao Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), classificou a operação como “irresponsável e militarizada”, ressaltando que as incursões em favelas têm se mostrado ineficazes na redução da criminalidade. “Os pesquisadores de crime, violência e segurança do país há décadas demonstram, com números e pesquisas de proximidade, como a opção pelas incursões militarizadas em favelas é ineficiente e prejudicial para parcelas gigantescas da população”, afirmou o grupo em nota.
Já o Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (UFF), especializado em temas ligados à violência e conflitos sociais, também condenou a ação. Em publicação nas redes sociais, o núcleo destacou que as operações desse tipo “implicam em altíssimos custos para a sociedade, são incapazes de reduzir ocorrências criminais e não contêm o avanço do controle territorial armado”.
As manifestações reforçam o debate sobre o modelo de enfrentamento adotado no Rio de Janeiro, especialmente após a operação mais letal da história do estado. Os grupos acadêmicos pedem uma revisão estrutural das políticas de segurança, com foco em inteligência, prevenção e desenvolvimento social, em vez de ações puramente repressivas.
A operação, batizada de Contenção, resultou em 121 mortes, incluindo quatro agentes de segurança. O governo estadual classificou a ação como “um sucesso operacional”, enquanto entidades de direitos humanos e setores da sociedade civil cobram investigação independente e responsabilização por possíveis excessos das forças policiais.














