Prefeitura do Rio de Janeiro intensifica combate ao comércio ambulante ilegal com programa de “Tolerância Zero”.
O Centro do Rio de Janeiro será o palco da próxima grande ação de ordenamento urbano promovida pela prefeitura. Um plano detalhado para reorganizar o comércio ambulante, inicialmente testado na orla da Zona Sul, tem como meta se expandir para a região central e outras áreas críticas da cidade. O programa, batizado de “Tolerância Zero”, visa estabelecer uma estrutura de fiscalização fixa e contínua para combater a desordem e o comércio clandestino nas calçadas.
A ofensiva começa com bloqueios e patrulhas que cobrirão toda a extensão litorânea da Zona Sul, do Leme ao Leblon, incluindo pontos como Arpoador e Ipanema. As equipes atuarão 24 horas por dia, realizando rondas, estabelecendo barreiras nos acessos à praia e confiscando produtos sem nota fiscal. A estratégia principal é cortar a linha de abastecimento do mercado ilegal, atingindo os galpões clandestinos que armazenam mercadorias.
A iniciativa surge como resposta às reclamações de moradores e frequentadores sobre o avanço da desordem urbana, como o uso excessivo de caixas de som e a ocupação irregular de calçadas por ambulantes. O prefeito Eduardo Cavaliere ressaltou que o programa se diferencia de ações anteriores por sua natureza permanente, sem prazo para terminar. A ideia é que os fiscais permaneçam nos locais recuperados para impedir a reocupação por grupos informais.
Desarticulação de redes de mercado paralelo
O setor de inteligência municipal identificou 22 depósitos clandestinos que sustentam o esquema na Zona Sul. Esse mercado paralelo movimenta cerca de R$ 100 milhões anualmente, provenientes da cobrança de aluguéis de espaços, reserva de pontos de venda e locação de equipamentos. Milhares de pontos informais sem permissão operam na faixa de areia e nos calçadões do trecho inicial do programa, sendo que uma parcela significativa desses vendedores, cerca de um em cada cinco camelôs clandestinos mapeados, é de origem estrangeira.
Fiscalização 24 horas e confisco de mercadorias
A operação na orla da Zona Sul, que se estende do Leme ao Leblon, contará com equipes atuando ininterruptamente. A fiscalização abrangerá rondas constantes, instalação de barreiras nos acessos às praias e o confisco imediato de produtos sem a devida comprovação fiscal. O objetivo é desestimular a venda irregular e coibir a atuação de vendedores sem licença.
Programa “Tolerância Zero” como política de Estado
Diferente de mutirões pontuais, o programa “Tolerância Zero” foi concebido para ser uma política pública de longo prazo. A intenção é criar uma estrutura de fiscalização robusta e permanente, que se fixe nos pontos recuperados para evitar a reincidência do comércio irregular. Essa abordagem visa garantir a manutenção da ordem urbana e a qualidade do espaço público.
Impacto econômico e social do comércio irregular
O comércio ambulante ilegal no Rio de Janeiro não se resume apenas à ocupação de espaços públicos, mas também envolve uma complexa rede econômica. A movimentação anual de R$ 100 milhões, segundo dados da prefeitura, demonstra a dimensão do mercado paralelo. A atuação do programa “Tolerância Zero” busca, portanto, não apenas organizar o espaço, mas também desarticular redes criminosas que se beneficiam da informalidade.














