Tiroteio fecha clínica da família em Coelho Neto, deixa mortos e recorda violência em unidades de saúde do Rio

Clínica da Família Edma Valadão

Um confronto entre criminosos rivais fechou a Clínica da Família em Coelho Neto, na tarde desta terça-feira (2), e deixou ao menos duas pessoas mortas. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), o protocolo de segurança já estava acionado quando os disparos começaram, por volta de 12h50, e cerca de 50 pessoas precisaram se abrigar dentro da unidade.

Um dos mortos foi identificado como Emerson Costa dos Santos, de 21 anos, atingido por três tiros enquanto estava na porta da clínica. Ele chegou a ser levado por populares para o Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, em Acari, mas deu entrada já sem vida. Policiais do 41º BPM (Irajá) ainda localizaram outros dois baleados na região. Informações iniciais apontam para confronto entre traficantes do Comando Vermelho (CV) e do Terceiro Comando Puro (TCP), que disputam o Conjunto do Amarelinho.

Dentro da unidade, um disparo atingiu a sala dos agentes comunitários de saúde, mas ninguém ficou ferido. Pacientes e profissionais permaneceram trancados na clínica até o fim do tiroteio. A SMS informou que o território será reavaliado entre esta terça e a manhã de quarta-feira (3) para decidir se há condições de reabrir o atendimento. É a mesma unidade onde, em maio de 2023, a comerciante Glória Maria Esteves de Brito, de 36 anos, morreu após ser atingida durante outro tiroteio na área.

O episódio reacende o alerta para a escalada da violência em equipamentos de saúde da Zona Norte. A poucos quilômetros dali, a UPA de Costa Barros foi invadida por criminosos em 30 de setembro, quando dois rivais baleados foram retirados à força da unidade. O posto chegou a ficar fechado até o fim de outubro, sob forte esquema de segurança com viatura e blindado na porta. Dados da própria SMS mostram que, entre janeiro e setembro do ano passado, 741 unidades de saúde precisaram interromper o atendimento temporariamente por causa de confrontos armados — uma média de uma paralisação a cada nove horas na rede municipal.

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