Tenente-coronel acusado de matar esposa irá a júri popular após decisão da Justiça

Geraldo Leite e a esposa, a soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana

Tenente-coronel acusado de matar esposa irá a júri popular após decisão da Justiça que determinou que o caso seja julgado na esfera comum, e não pela Justiça Militar. A medida envolve o oficial Geraldo Leite Rosa Neto, apontado como responsável pela morte da esposa, a policial militar Gisele Alves Santana.

A decisão foi tomada pelo Superior Tribunal de Justiça, que entendeu que o processo deve tramitar na 5ª Vara do Júri, localizada no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo. Com isso, o caso será analisado por um júri popular.

A tese de que o crime não possui natureza militar foi defendida tanto pela família da vítima quanto pela defesa do acusado. O entendimento foi acolhido pela Justiça, que afastou a competência da Justiça Militar para julgar o caso.

A vítima, de 32 anos, foi encontrada morta no apartamento onde morava com o marido, na região central de São Paulo, em fevereiro deste ano. Inicialmente, havia dúvidas sobre as circunstâncias da morte, mas laudos periciais indicaram inconsistências com a hipótese de suicídio.

De acordo com os exames, o disparo que causou a morte foi feito com a arma encostada à têmpora, além de indícios de que a vítima teria sido surpreendida por trás. A posição da arma no momento em que o corpo foi encontrado também levantou suspeitas entre os investigadores.

Diante dessas evidências, a investigação concluiu pela possibilidade de homicídio, o que levou o Ministério Público a denunciar o tenente-coronel por feminicídio e fraude processual. A Justiça aceitou a denúncia em março, tornando o militar réu.

Além da acusação criminal, o caso também envolve desdobramentos administrativos. A Polícia Militar de São Paulo concedeu a aposentadoria ao oficial, que passou para a reserva com direito a vencimentos integrais.

Paralelamente, a Corregedoria da corporação abriu um processo que pode resultar na expulsão do tenente-coronel. Caso isso ocorra, ele poderá perder a patente de forma definitiva.

Especialistas apontam que, em caso de condenação definitiva, o militar ainda pode perder benefícios relacionados à aposentadoria, dependendo das decisões judiciais e administrativas futuras.

O encaminhamento do caso para júri popular representa uma nova etapa no processo, que seguirá com análise de provas e depoimentos até o julgamento final.

O desfecho ainda depende das próximas fases da Justiça e pode trazer novos impactos ao longo da tramitação do caso.

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