Suspensão da Feira de Antiguidades da Praça XV gera prejuízos para expositores no Centro do Rio

Feira de Antiguidades da Praça XV

A Suspensão da Feira de Antiguidades da Praça XV tem gerado prejuízos e insegurança financeira para expositores que dependem do evento como principal fonte de renda. Com a intensa programação de desfiles de megablocos no Centro do Rio, a retomada da feira está autorizada apenas a partir do dia 28 de fevereiro.

Tombada por decreto municipal e considerada a maior feira de antiguidades da América Latina, a feira acontece há cerca de 40 anos aos sábados, das 6h às 15h, nas imediações da Praça XV, ao lado do Paço Imperial. O espaço ocupado vai da Rua Primeiro de Março até as proximidades da estação das barcas.

Segundo a expositora Nathalia Costa, de 37 anos, moradora de São Gonçalo, a decisão foi tomada sem diálogo prévio com os trabalhadores. “A gente é sempre informado em cima da hora que não vai ter a feira. Não existe um comunicado antecipado”, afirmou, em depoimento ao O Dia.

Enquanto aguardam a retomada, alguns vendedores tentam buscar alternativas para complementar a renda, como vendas pela internet ou trabalhos temporários. Ainda assim, o sentimento predominante é de incerteza. “É a minha principal renda, onde eu consigo fazer minha clientela. No momento, o Instagram e um site têm sido a minha vitrine, mas não me dão o retorno que lá me dá”, relatou Bruna Goelzer, dona de um dos brechós que funcionam no espaço, em depoimento ao O Dia.

Diante da repetição do problema nos meses de janeiro e fevereiro, uma expositora sugeriu mudanças para os próximos anos. “Os blocos maiores podiam ser lá no Aterro do Flamengo, mas esses menores podiam acontecer junto com a feira. Quando dá 11h o bloco acaba e a feira continua”, ponderou Jayrla Rodrigues, também em depoimento ao O Dia.

Para tentar reduzir os impactos, chegou a ser cogitada uma transferência temporária da feira para outro local, em negociação com a Subprefeitura do Centro. No entanto, a organização do evento se posicionou contra a mudança por considerar a alternativa inviável, especialmente pela proximidade da data. No último sábado, o evento já não foi realizado.

“A gente já demora muito tempo para construir a nossa clientela, que não vai só pelo nosso produto, ela vai pelo passeio pelo Centro histórico. Não é só vender um objeto. Levar a Feira de Antiguidades para outro lugar não tem sentido. A feira tem que ser ali”, defendeu Jayrla Rodrigues, em depoimento ao O Dia.

Procurada, a Subprefeitura do Centro informou, em nota, que a interrupção foi necessária para garantir a segurança de feirantes e frequentadores, já que os megablocos atraem entre 500 mil e 1,5 milhão de pessoas para a região. Segundo o órgão, medidas semelhantes já foram adotadas em anos anteriores durante o período de Carnaval no Rio de Janeiro.

Limpatech