Suspeitos do PCC e CV que abasteciam o Alemão são presos

Suspeitos do PCC e CV que abasteciam o Alemão são presos

A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu nesta quinta-feira (3) suspeitos de integrar um esquema entre o PCC e CV para abastecer o Complexo do Alemão com armas e drogas. A operação, batizada de Bella Cião, foi deflagrada pela Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD) e revelou a existência de um “consórcio” entre as duas facções criminosas para movimentar mais de R$ 250 milhões em atividades ilícitas.

Entre os presos estão Ana Lúcia Ferreira, ex-mulher de Elton Leonel da Silva, o Galã — um dos chefes do PCC preso em 2020 — e Gustavo Miranda de Jesus, apontado como braço direito de Fhillip da Silva Gregório, o Professor, líder da comunidade da Fazendinha, no Alemão, morto no mês passado. Ana Lúcia foi localizada em Taubaté, no interior de São Paulo, enquanto Gustavo foi capturado no Rio de Janeiro.

“Gustavo usava a própria família para movimentar os valores. Numa operação anterior, os pais e a irmã dele já tinham sido presos por emprestar contas bancárias para essas transações. A Ana traz para o Rio o conhecimento que já tinha da região de fronteira. É uma articuladora que atua tanto para o Comando Vermelho quanto para o PCC”, afirmou o delegado Vinícius Miranda, titular da DCOC-LD, em entrevista à TV Globo.

A investigação revelou que o grupo utilizava empresas de fachada, contas bancárias de laranjas e uma logística interestadual para dissimular o transporte e a origem dos produtos ilícitos. Os núcleos da quadrilha operavam tanto na capital fluminense quanto em Mato Grosso do Sul.

Ana Lúcia seria a responsável por conectar o Professor a fornecedores de armas na região de fronteira com o Paraguai, enquanto Gustavo mobilizava recursos financeiros do Comando Vermelho e coordenava eventos em comunidades para misturar ativos lícitos com dinheiro proveniente do tráfico.

Além das prisões, a operação cumpriu mandados de busca e apreensão para reunir novas provas e fortalecer o inquérito. A Polícia Civil destacou que a análise de conversas interceptadas, dados financeiros e laudos periciais foi essencial para desmontar o esquema.

As investigações continuam para identificar outros integrantes do consórcio criminoso e rastrear o fluxo de recursos usados pelas facções.

Limpatech