Paes promete concluir hospitais em Friburgo e São Gonçalo

O candidato ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), prometeu concluir as obras do Hospital Estadual de Oncologia de Nova Friburgo e do Hospital da Mãe, em São Gonçalo, reduzindo o deslocamento de quem busca atendimento.

A declaração foi feita durante agenda oficial de campanha na Região Serrana. O compromisso aborda duas promessas antigas do poder público estadual que se arrastam há mais de uma década, deixando milhares de famílias sem assistência especializada perto de casa.

Promessa de conclusão dos hospitais estaduais de Friburgo e São Gonçalo

As duas unidades de saúde são alvos históricos de reclamações da população do interior e da Região Metropolitana. Atualmente, moradores do Leste Fluminense e da Região Serrana precisam viajar diariamente até a capital para conseguir exames, cirurgias e sessões de quimioterapia ou radioterapia.

Segundo o candidato, a meta de finalizar as duas estruturas visa evitar o chamado turismo sanitário. Trata-se da rotina exaustiva em que doentes graves viajam até cinco horas de van ou ônibus para receber atendimento no Rio e depois enfrentam o mesmo trajeto de volta para casa.

Como a falta das unidades afeta quem precisa de tratamento?

Quem mora na Região Serrana ou no Leste Fluminense conhece bem o drama da van da saúde. Todos os dias, antes do sol nascer, dezenas de veículos saem de municípios como Nova Friburgo, Bom Jardim, Cantagalo, São Gonçalo e Itaboraí transportando doentes para os grandes hospitais da capital fluminense.

Para um paciente de câncer em tratamento radioterápico ou quimioterápico, encarar a Rodovia RJ-116 ou a Ponte Rio-Niterói de segunda a sexta-feira agrava ainda mais o desgaste físico. A promessa de entregar a unidade de Nova Friburgo visa centralizar o atendimento de oncologia na Região Serrana, atendendo pelo menos 16 municípios vizinhos que hoje dependem da capital.

Já em São Gonçalo, a ausência do Hospital da Mãe sobrecarrega as maternidades da Baixada e do Rio. A unidade foi planejada para oferecer assistência integral à saúde da mulher, incluindo maternidade de alta complexidade, centro cirúrgico e leitos de UTI neonatal para bebês prematuros.

O impasse do Hospital de Oncologia de Nova Friburgo

Anunciado originalmente no ano de 2012, o Hospital Estadual de Oncologia de Nova Friburgo tinha previsão inicial de entrega para 2014. Passados mais de doze anos, o prédio segue de portas fechadas, acumulando aditivos contratuais e trocas de gestão no Governo do Estado do Rio de Janeiro.

Em 2022, a gestão estadual chegou a anunciar a retomada das intervenções, prometendo a conclusão em 365 dias. No entanto, o contrato acumulou oito aditivos e o prazo acabou estendido para 1.275 dias, sem que o atendimento ao público fosse iniciado. A estrutura ainda necessita de adequações técnicas complexas em setores como a radioterapia, braquiterapia e iodoterapia.

O caso virou objeto de apuração no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ). O órgão abriu auditoria para investigar as sucessivas prorrogações, o aumento nos custos do projeto e a lentidão no cronograma que impede o funcionamento da unidade médica.

O abandono do Hospital da Mãe em São Gonçalo

No bairro do Colubandê, em São Gonçalo, a história se repete com o Hospital Estadual da Mãe. As obras começaram em 2012 com a promessa de ser entregue no ano seguinte. Mais de R$ 10 milhões do orçamento público foram aplicados no local, mas o prédio permanece inacabado e abandonado.

Sem a unidade, milhares de gestantes de São Gonçalo e cidades vizinhas precisam procurar socorro em maternidades distantes ou enfrentar longas filas na rede municipal. A promessa atual prevê retomar os projetos de engenharia, concluir a estrutura física e realizar a contratação das equipes médicas para colocar a maternidade em funcionamento definitivo.

O que muda na rotina do morador e como buscar atendimento hoje

Enquanto as obras das duas unidades estaduais não são concluídas, a orientação para quem necessita de atendimento especializado em oncologia ou pré-natal de alto risco é procurar a rede básica de saúde do seu município de residência.

  • Encaminhamento para oncologia: O paciente deve buscar o Posto de Saúde ou Clínica da Família mais próxima para obter o encaminhamento via Sistema de Regulação (SISREG) para os hospitais estaduais ou federais credenciados no Rio de Janeiro.
  • Atendimento à gestante em São Gonçalo: Maternidades municipais e o Hospital Maternidade Doutor Mário Niajar continuam sendo as referências diretas para urgências obstétricas na região.
  • Transporte intermunicipal de saúde: Pacientes com consultas agendadas na capital devem procurar a Secretaria Municipal de Saúde da sua cidade para agendar o transporte gratuito cedido pelas prefeituras.

Quem responde pelas obras e o que diz a fiscalização

A responsabilidade pela execução e fiscalização das obras dos hospitais estaduais é da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) e da Empresa de Obras Públicas do Estado (EMOP-RJ). As contratações seguem sob análise dos conselheiros do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ).

A população pode acompanhar o andamento dos gastos públicos ou encaminhar denúncias sobre atrasos em obras estaduais por meio da Ouvidoria Geral do Estado do Rio de Janeiro, pelo telefone 0800 282 2237, ou diretamente no portal do TCE-RJ. Para denúncias anônimas de irregularidades, o Disque Denúncia atende pelo telefone (21) 2253-1177, com serviço disponível 24 horas por dia.

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