A suspeita de envenenar idoso, a estudante de Direito Ana Paula Veloso Fernandes, de 39 anos, voltou a ser alvo da polícia fluminense. Conhecida por sua frieza e envolvimento em quatro homicídios investigados — três em São Paulo e um no Rio —, ela também responde a acusações por incendiar a casa do ex-marido e depredar um terreiro de candomblé mantido pela família dele, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
Descrita pelos investigadores como uma mulher manipuladora, Ana Paula chegou a ser casada por dez meses com um cuidador de idosos e babalorixá. Segundo o ex-companheiro, o relacionamento terminou de forma turbulenta e foi marcado por ameaças, violência psicológica e destruição de patrimônio.
“Descobri que ela queria dar um golpe e tomar uma casa de uma pessoa. Como era casada comigo, precisava da minha assinatura. Quando recusei, ela passou a me infernizar. Chegou a se mutilar para conseguir uma medida protetiva judicial”, relatou o ex-marido, que preferiu não se identificar.
Após a separação formal, em março de 2024, Ana Paula teria ocupado ilegalmente um imóvel pertencente ao ex e, mais tarde, vendido o local sem autorização, por valores entre R$ 60 mil e R$ 80 mil. O suposto comprador chegou a morar na casa, mas saiu após intervenção da polícia.
Em novembro do mesmo ano, a estudante teria invadido o terreiro da família do ex-companheiro, destruído imagens religiosas e ateado fogo na residência. Os crimes foram registrados na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) e na 48ª DP (Seropédica).
Além disso, Ana Paula responde a um procedimento por denunciação caluniosa na Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam), após acusar falsamente o ex-marido de agressão. Ela também é investigada por ter feito uma denúncia falsa contra os ex-sogros, alegando ameaças que, segundo o babalorixá, jamais ocorreram.
O nome de Ana Paula voltou aos noticiários nesta semana, quando sua colega de faculdade, Michelle Paiva da Silva, de 43 anos, foi presa por policiais de São Paulo e da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF). Segundo as investigações, Michelle teria contratado Ana para matar o próprio pai, o aposentado Neil Corrêa da Silva, de 65 anos, em abril deste ano.
O idoso morreu após comer uma feijoada levada por Ana Paula. A suspeita teria triturado a comida no liquidificador, já que a vítima tinha dificuldade para mastigar. Neil foi levado ao Hospital Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, mas não resistiu. O corpo foi exumado nesta quinta-feira e encaminhado ao Instituto Médico-Legal do Rio, onde passa por exames que podem confirmar a presença de veneno.
De acordo com a polícia, o crime teria custado R$ 4 mil. Como Ana Paula devia dinheiro à contratante, o valor foi abatido da dívida, e a execução teria sido paga com R$ 1,4 mil. A irmã gêmea da suspeita, Roberta Cristina Veloso, também está presa e é apontada como cúmplice.
O ex-marido de Ana Paula contou que só descobriu o envolvimento dela com os assassinatos pela imprensa. “Fiquei chocado. Eu poderia ter sido mais uma vítima. Vivi de novo”, declarou o religioso.
Segundo os investigadores, Ana Paula mudou-se para Guarulhos, em São Paulo, em janeiro deste ano, onde passou a cursar Direito. No dia da morte de Neil, estava em Duque de Caxias, ao lado de Michelle, o que reforça as suspeitas de sua participação direta no crime.














