Passageiros viajarem em portas e janelas de trem virou cena recorrente na Baixada Fluminense após a circulação de uma composição completamente lotada no ramal Saracuruna. O trem seguia de Duque de Caxias para Guapimirim quando imagens mostraram usuários posicionados nas portas, janelas e até na parte externa do vagão, expondo riscos graves à integridade física.
O registro foi feito no sábado (27) e rapidamente ganhou repercussão por evidenciar a superlotação enfrentada diariamente por quem depende do transporte ferroviário na região. A situação ocorreu em um dia de forte calor, quando muitos passageiros se deslocavam em direção a áreas de lazer, como cachoeiras em Guapimirim e Magé.
As imagens mostram que o interior do vagão estava completamente tomado, sem espaço para circulação, o que levou parte dos usuários a viajar do lado de fora da composição. A prática, além de irregular, representa risco extremo de quedas, choques com estruturas ao longo da via e acidentes fatais.
Em nota, a SuperVia informou que, após o registro da ocorrência, houve reforço do policiamento no ramal Vila Inhomirim. A concessionária também afirmou que mantém campanhas educativas para alertar os passageiros sobre os perigos de viajar fora dos trens.
A cena reacende o debate sobre as condições do transporte ferroviário na Baixada Fluminense, especialmente em períodos de maior demanda. Usuários relatam que a superlotação não é um episódio isolado, mas parte da rotina enfrentada por quem utiliza o serviço nos fins de semana e horários de pico.
Especialistas em mobilidade urbana alertam que situações como essa evidenciam falhas estruturais no sistema, que vão além da conduta dos passageiros. A combinação de oferta insuficiente, calor intenso e aumento no fluxo de pessoas acaba criando um cenário propício para decisões arriscadas, motivadas pela falta de alternativas.
O caso segue repercutindo e reforça a discussão sobre segurança, fiscalização e investimentos no transporte público ferroviário da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, especialmente em áreas historicamente afetadas pela precariedade do serviço.














