O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou o restabelecimento da prisão preventiva do delegado Allan Turnowski, ex-secretário da Polícia Civil do Rio de Janeiro, acusado de integrar organização criminosa com atuação no jogo do bicho. A decisão foi tomada pela Segunda Turma da Corte, revertendo a liminar que havia libertado Turnowski em 2022. A informação foi divulgada inicialmente pela coluna do jornalista Guilherme Amado e confirmada pelo jornal EXTRA.
Turnowski responde a processo por atuar, segundo o Ministério Público do Estado do Rio, como agente duplo em favor dos contraventores Rogério de Andrade e Fernando Iggnácio, este último assassinado em 2020. O delegado havia sido preso em setembro de 2022, por agentes do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), e permaneceu detido até a concessão de habeas corpus pelo ministro Kassio Nunes Marques.
A defesa de Turnowski informou que irá apresentar embargos de declaração ao STF e um novo pedido de habeas corpus. “Alguns temas foram omitidos, especialmente o fato do processo estar paralisado há quase um ano em diligência requerida pelo MP e o mais importante, que todas as medidas alternativas foram cumpridas na integralidade, incorrendo qualquer incidente”, declarou a equipe jurídica do delegado, em nota ao jornal O Dia.
Allan Turnowski construiu sua carreira dentro da Polícia Civil e ocupou o cargo de chefe da corporação em 2010 e 2011, no governo de Sérgio Cabral. Sua primeira passagem pelo alto comando da instituição foi marcada por polêmicas. Ele chegou a ser indiciado por violação de sigilo funcional em meio à Operação Guilhotina, da Polícia Federal, que prendeu dezenas de agentes acusados de envolvimento com o crime organizado. O caso contra Turnowski, no entanto, foi arquivado por falta de provas.
Durante a mesma operação, o então delegado Carlos Oliveira, braço direito de Turnowski, foi preso. Na época, Turnowski acusou o colega Cláudio Ferraz, então titular da DRACO (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais), de ter fornecido informações à Polícia Federal, e protocolou um dossiê contra ele na Corregedoria da corporação.
Após deixar o cargo de chefe da Polícia Civil, Turnowski assumiu a chefia do Departamento Geral de Polícia da Capital (DGPC) e, em 2020, retornou ao comando da instituição a convite do governador Cláudio Castro. Segundo o Ministério Público, esse retorno teria sido articulado pelo delegado Maurício Demétrio, atualmente condenado por obstrução de justiça. Conversas interceptadas pela investigação apontam que Demétrio buscou apoio político para garantir a nomeação de Turnowski ao cargo.
Com a decisão do STF, a situação do delegado volta a se agravar. A medida reforça o entendimento da Corte de que há indícios suficientes para justificar a custódia preventiva, diante da gravidade das acusações e da possibilidade de interferência nas investigações.
O processo segue em trâmite, e a defesa de Allan Turnowski já anunciou que continuará recorrendo judicialmente. Enquanto isso, o nome do ex-secretário permanece ligado a um dos maiores escândalos envolvendo a cúpula da segurança pública do estado, com ramificações que apontam para conluios entre agentes da lei e figuras centrais do submundo do jogo do bicho no Rio.














