“Sou milícia e sou polícia”. A declaração foi feita com orgulho pelo policial militar Bruno Marques da Silva, conhecido como Bruno Estilo, em uma das conversas interceptadas pelo Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ). O PM é um dos investigados por integrar o grupo criminoso armado batizado como Novo Escritório do Crime, que atua principalmente na Zona Oeste do Rio.
Segundo o portal Agenda do Poder, as interceptações telefônicas revelam o envolvimento direto de policiais militares em atividades criminosas como execuções, sequestros, comércio ilegal de armas e atuação dentro dos próprios batalhões para desviar munições de apreensões oficiais. A organização seria comandada de dentro da prisão por Thiago Soares Andrade Silva, o Ganso, ex-PM preso desde 2023.
Em outro trecho da conversa, Bruno Estilo se refere a uma execução em Realengo: “Viu o maluco que a gente pegou ontem? Viu? Lá em Realengo. Se eu soubesse disso naquela época, eu tinha ido mais vezes. Ia ganhar muito mais”. O Ministério Público acredita que ele fazia referência ao assassinato de Neri Peres Júnior, morto em 2021.
Além das execuções, o grupo movimentava um esquema clandestino de venda de armamentos desviados de operações policiais. Segundo o Gaeco, parte desse material vinha de apreensões feitas pelas próprias corporações e era repassada ilegalmente por agentes envolvidos no esquema.
Durante as investigações, Bruno também desabafa sobre o ritmo da organização criminosa: “Não tô vivendo mais não. Às vezes eu deixo de marcar minhas coisas, de resolver minhas coisas porque prra, eu marco um bagulho e aí toda hora tem missão. A meta é ficar milionário!”*, diz em outro áudio.
Atualmente, Bruno Estilo já está preso. Outros nomes investigados seguem foragidos, como o capitão Alexander Ribeiro Estrela, do 39º BPM (Belford Roxo), e o cabo Diogo Brigs Climaco, do 9º BPM (Rocha Miranda). Este último foi citado em uma das escutas por Bruno como parceiro nas negociações clandestinas.
“Eu acho que tu pegou a pistola dele uma vez, mano. Ele é aqui do 18, cara, é o Briggs. Tá me dando várias moral, vendendo várias paradas”, revelou.
Além de Bruno Estilo e Thiago Ganso, foram denunciados à Justiça:
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André Costa Bastos, o Boto (preso)
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Rodrigo de Oliveira Andrade de Souza, o Rodriguinho (preso)
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Anderson de Oliveira Reis Viana, o Papa (foragido)
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Diony Lancaster Fernandes do Nascimento, o Diony (preso)
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Vitor Francisco da Silva, o Vitinho Fubá (foragido)
Todos respondem por crimes como organização criminosa armada, comércio ilegal de armas e munições, e homicídios. Entre os assassinatos atribuídos ao grupo estão os de Fábio Romualdo Mendes, morto dentro do carro em Vargem Pequena, e de Neri Peres Júnior, alvejado com fuzis em Realengo.
O Gaeco também aponta que parte das atividades do grupo ocorriam com base dentro dos próprios batalhões da Polícia Militar. Os PMs investigados atuavam como intermediários de negociações ilegais e facilitavam o desvio de armamento e munições para fortalecer a quadrilha.
A Polícia Militar afirmou, em nota, que colaborou com a operação do Gaeco e confirmou que um dos policiais citados já está preso. A corporação não comentou os demais nomes investigados, mas disse que continuará apoiando ações contra a corrupção e o crime organizado dentro de suas fileiras.














