O secretário municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Daniel Soranz, destacou o impacto do crime no Vidigal após a suspensão temporária das obras da Clínica da Família na comunidade. Segundo ele, a ausência de políticas de segurança eficazes favorece o domínio do tráfico e da milícia, dificultando a execução de serviços públicos essenciais.
A paralisação aconteceu depois que a Prefeitura informou que operários teriam sido ameaçados por homens armados. No entanto, o registro feito na 15ª DP (Gávea) não cita criminosos. O boletim de ocorrência relatou apenas que um homem, identificado como suposto proprietário do imóvel, solicitou a imediata desmobilização das atividades, obrigando a equipe a deixar o local.
Antes mesmo do registro, Soranz fez duras críticas à segurança pública. A gente não tem nenhuma estratégia policial estruturada que garanta a presença do Estado dentro dos territórios. Infelizmente, Rocinha, Vidigal e outras comunidades do Rio de Janeiro têm o domínio do poder paralelo, que atrapalha muito a execução dos serviços públicos. Em algum momento, disseram que a violência acontece por falta de serviços públicos, como saúde e educação. Não é verdade. A violência acontece por falta de uma política de segurança estruturada, e isso compromete também os serviços públicos de saúde e educação — disse Soranz.
De acordo com o secretário, unidades de saúde do município já tiveram de interromper atividades 516 vezes devido a confrontos armados. Ele afirmou que, no passado, havia presença constante da polícia nas comunidades, mas atualmente muitos locais estão bloqueados por barricadas que impedem até a entrada de profissionais de saúde.
O terreno da futura clínica já havia sido alvo de irregularidades no passado. Há dois anos, a Prefeitura embargou uma construção financiada pelo crime organizado, que já contava com dez andares. Após regularização e liberação técnica, o prédio passou a ser destinado ao novo projeto, orçado em R$ 6 milhões. O espaço contará com oito consultórios, sala de acompanhamento ambulatorial, área de medicação e espaço para ressonância magnética.
A Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Zona Sul entrou em contato com a Prefeitura e garantiu apoio para a continuidade das obras, previstas para retomada ainda nesta quarta-feira. Esperamos que essa questão esteja realmente resolvida, que as forças de segurança consigam garantir a atuação das equipes dentro da unidade, porque é um equipamento de saúde que a comunidade do Vidigal espera há muito tempo e que faz muita diferença no dia a dia da população — afirmou Soranz.
Em nota, a Prefeitura reforçou que a obra foi suspensa visando a segurança dos trabalhadores e que o apoio das forças de segurança é fundamental para a conclusão da unidade, prometida durante a campanha eleitoral do prefeito Eduardo Paes.














