Flávio Bolsonaro propõe “Smart Brasil” inspirado em sistema de monitoramento de São Paulo
O senador Flávio Bolsonaro (PL) apresentou a proposta de criar o “Smart Brasil”, um sistema nacional de monitoramento por câmeras baseado no modelo já implementado em São Paulo, o Smart Sampa. A iniciativa visa integrar bancos de dados e mais de um milhão de câmeras para auxiliar as forças de segurança na identificação de suspeitos em todo o território nacional.
A ideia foi bem recebida pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), que é o responsável pela implantação do Smart Sampa na capital paulista. Nunes destacou a importância da proposta para o combate à criminalidade e reforçou que Flávio já vinha apresentando a iniciativa em seu plano de governo.
No entanto, durante o debate presidencial, Flávio Bolsonaro não detalhou como pretende financiar a expansão, quais bases de dados seriam integradas e como seria a divisão de responsabilidades entre União, estados e municípios. A campanha do senador não forneceu informações sobre o orçamento estimado e o desenho institucional do projeto.
Como funciona o Smart Sampa em São Paulo
O Smart Sampa, sistema que inspira a proposta de Flávio Bolsonaro, reúne cerca de 50 mil câmeras conectadas na capital paulista, segundo dados de abril de 2026. A plataforma utiliza tecnologias como reconhecimento facial e leitura automática de placas de veículos para gerar alertas às equipes de segurança.
O sistema tem sido apresentado pela gestão municipal como uma ferramenta eficaz para localizar foragidos da Justiça, identificar veículos com restrições, auxiliar na busca por pessoas desaparecidas e apoiar investigações policiais. A estrutura permite a integração de câmeras privadas à rede municipal, ampliando a cobertura sem a necessidade de aquisição direta de todos os equipamentos pela prefeitura.
Conforme materiais divulgados pela Prefeitura, o Smart Sampa já contribuiu para mais de 5,8 mil prisões em flagrante, a captura de mais de 3,2 mil foragidos e a localização de 228 pessoas desaparecidas. É importante notar que esses números são resultados operacionais apresentados pela gestão e não demonstram isoladamente o impacto do programa nos índices gerais de criminalidade.
Expansão e desafios do monitoramento em larga escala
A proposta do “Smart Brasil” prevê a instalação de mais de um milhão de câmeras em parceria com governos estaduais e prefeituras. O objetivo é que um agressor, por exemplo, que cometa um crime em um estado, possa ser identificado e preso ao se deslocar para outro, graças à integração de sistemas.
O senador também mencionou o uso de inteligência artificial para ampliar a capacidade de monitoramento e a implementação do Cadastro Nacional de Pedófilos e Estupradores. Contudo, a viabilidade e os detalhes técnicos e financeiros dessa expansão em nível nacional ainda são pontos que carecem de esclarecimento.
Distribuição desigual e questões de privacidade
Apesar da expansão do Smart Sampa, a distribuição das câmeras pela capital paulista não é uniforme. Uma reportagem de outubro de 2025 revelou disparidades significativas entre as subprefeituras, com algumas concentrando milhares de equipamentos e outras tendo uma quantidade muito menor.
Essa desigualdade levanta questões sobre os critérios de instalação e a cobertura territorial do sistema. Em uma eventual expansão nacional, a distribuição das câmeras dependeria das prioridades locais, da infraestrutura disponível e da capacidade de integração dos sistemas estaduais e municipais, aspectos ainda não detalhados pela campanha de Flávio Bolsonaro.
Eficácia da tecnologia e fiscalização dos dados
O uso de reconhecimento facial e de grandes redes de videomonitoramento também suscita debates sobre a precisão dos alertas, a proteção de dados pessoais e os mecanismos de fiscalização. A identificação por algoritmo não confirma um crime por si só, e abordagens baseadas em alertas precisam ser verificadas pelas autoridades.
Um balanço divulgado pela Prefeitura em 2025 indicou casos de pessoas encaminhadas a delegacias que foram liberadas após inconsistências cadastrais ou averiguações, reforçando a necessidade de distinguir os alertas tecnológicos dos resultados confirmados pelas forças de segurança.













