Entenda os sinais de ansiedade e tédio em cachorros: destruição e latidos excessivos podem ser mais que ‘manha’
Comportamentos como destruir objetos, latir incessantemente ou seguir o tutor por toda a casa podem ir além de uma simples falta de educação ou excesso de energia. Segundo especialistas, essas atitudes podem ser indicadores claros de que o cachorro está enfrentando ansiedade, tédio ou dificuldades de adaptação.
Muitas vezes, esses sinais são interpretados de forma equivocada pelos tutores, que os veem como “manha” ou simplesmente como um comportamento típico da raça. No entanto, é fundamental observar essas mudanças, pois elas podem revelar um sofrimento emocional ou físico do animal.
Uma pesquisa recente aponta que uma grande porcentagem de cães apresenta medo ou ansiedade em situações cotidianas, reforçando a importância de se atentar aos sinais. Conforme informação divulgada por meio de dados do Dog Aging Project, mais de 84% dos cachorros avaliados em um estudo publicado na revista Veterinary Research Communications, em junho de 2026, apresentavam algum nível de medo ou ansiedade.
Destruição e latidos: sinais de alerta que não devem ser ignorados
A especialista em comportamento animal Beatriz França explica que comportamentos destrutivos, como roer móveis, destruir almofadas ou sapatos, podem não ser apenas falta de educação. Se esses atos ocorrem principalmente quando o animal está sozinho, podem ser um forte indicativo de ansiedade de separação.
Da mesma forma, um cachorro que antes era tranquilo e passa a latir excessivamente pode estar demonstrando frustração, excesso de energia acumulada ou a falta de estímulos adequados. Esses latidos são uma forma de comunicação que não deve ser ignorada.
Excesso de apego e apatia: quando o pet não se sente seguro
Outro sinal de alerta importante é quando o cachorro não consegue relaxar em outro cômodo e sente a necessidade de seguir o tutor constantemente. Essa dependência excessiva, especialmente se for uma mudança de comportamento, indica insegurança e pode estar ligada à ansiedade.
A apatia, caracterizada por um aumento nas horas de sono e perda de interesse em brincadeiras, também merece atenção. Embora possa ser confundida com um temperamento calmo, essa mudança repentina pode mascarar problemas de saúde, dores físicas ou um quadro de tédio e desmotivação.
Estimulação mental e descanso: o que seu cachorro realmente precisa
Tentar resolver a agitação ou a destruição apenas com mais passeios pode ser um erro. O cachorro precisa de uma abordagem mais completa, que inclua enriquecimento ambiental, desafios mentais, como atividades de farejar e resolver quebra-cabeças, e momentos adequados de descanso.
Beatriz França ressalta que um animal cansado fisicamente, mas ainda frustrado ou ansioso, não estará necessariamente bem emocionalmente. É essencial oferecer estímulos variados que atendam às necessidades cognitivas e emocionais do pet, além das físicas.
Investigando o comportamento: a importância do acompanhamento profissional
Quando não há uma causa clínica diagnosticada por um veterinário, a busca por um profissional especializado em comportamento animal é fundamental. Ele poderá ajudar a identificar os gatilhos que levam a esses comportamentos e a desenvolver um plano de manejo personalizado.
Conhecer o próprio cachorro e observar atentamente suas mudanças de comportamento é a chave para entender suas necessidades. Afinal, a forma como o animal se expressa é seu principal canal de comunicação sobre seu bem-estar físico e emocional.














