A cúpula da Segurança Pública do Estado apresentou nesta quarta-feira (29) os resultados da megaoperação no Rio, que terminou com 121 mortos — entre eles quatro policiais —, 113 prisões e a apreensão de 91 fuzis. A ação, considerada a mais letal da história do estado, foi planejada por cerca de um ano e teve como foco o cerco a criminosos nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte.
Durante a coletiva, o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, afirmou que o resultado da operação refletiu o planejamento das forças de segurança. “Optamos por aumentar o risco da nossa tropa e diminuir o risco da população que reside nos complexos da Penha e do Alemão. E deu certo. Foi exatamente o que queríamos, o cenário que planejamos. A operação de ontem foi o maior baque que o Comando Vermelho já tomou em toda sua história”, declarou.
Curi também exibiu imagens que, segundo ele, mostram moradores retirando roupas camufladas de corpos de suspeitos mortos na área de mata. A 22ª DP (Penha) abriu um inquérito para apurar possível fraude processual.
O secretário de Segurança Pública, Victor Santos, classificou a ação como inédita. “Essa foi a maior operação da história do Rio de Janeiro. Todo o trabalho de inteligência foi intenso e necessário. Essa alta letalidade era previsível, mas não desejada. Parte dos criminosos resolveu enfrentar o Estado e atacou, de forma cruel e violenta, nossos policiais”, afirmou.
O secretário de Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes, explicou que todos os agentes atuaram com câmeras corporais e detalhou a estratégia usada, batizada de “Muro do Bope”. “Foi uma linha de contenção montada na Serra da Misericórdia, empurrando os criminosos para o topo da montanha e limitando as rotas de fuga”, disse.
Segundo o balanço apresentado, a operação resultou em 113 traficantes presos — 33 de outros estados —, além da apreensão de 118 armas, entre fuzis, pistolas e explosivos. Drogas, munições e carregadores ainda estão sendo contabilizados.
O governador Cláudio Castro também comentou a operação, afirmando que o Estado agiu de forma autônoma diante da ausência de apoio federal. “Não vamos ficar chorando. Fizemos a nossa operação e foi um sucesso. Tirando a vida dos policiais, o resto foi um sucesso”, declarou.
Questionado sobre possíveis vítimas civis, Castro minimizou a hipótese. “O conflito foi todo na mata. Não creio que tivesse alguém passeando por lá em dia de operação. O critério que garantimos é que os mortos são criminosos”, disse.
Entidades de direitos humanos, no entanto, apontam inconsistências nos números oficiais e relatam que moradores encontraram dezenas de corpos fora do perímetro delimitado pelas forças de segurança. A Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ afirmou que ao menos 72 corpos foram levados por moradores à Praça São Lucas, na Penha, e que ainda há buscas por desaparecidos na área da Vacaria.
Enquanto o governo classifica o resultado como o “maior golpe ao tráfico já desferido no estado”, o número de mortos reacende o debate sobre a escalada da violência e os limites da política de confronto no Rio de Janeiro.














