Tragédia em Niterói expõe alerta sobre saúde mental nas Forças de Segurança

sargento Mariana Aparecida Ferreira da Silva

O suicídio é hoje a principal causa de morte entre policiais civis e militares. Em seguida, aparecem os homicídios no período de folga e, em terceiro lugar, as mortes em confronto durante o serviço.

Na Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ), entre 2020 e 2024, foram registrados 69 casos de mortes violentas intencionais autoprovocadas — dos quais 46 eram PMs da ativa e 23, veteranos.

No mesmo período, a corporação contabilizou 100 tentativas. As vítimas possuíam, em média, entre 12 e 15 anos de serviço. Do total, 83% eram homens e 17%, mulheres. Os dados integram o Boletim de 2025 do Instituto de Pesquisa, Prevenção e Estudos em Suicídio (IPPES).

Caso em Niterói

Lotada na 4ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (4ª DPJM – Niterói), a sargento Mariana Aparecida Ferreira da Silva enviou uma mensagem de despedida para um grupo de WhatsApp com colegas de trabalho, por volta das 22h30 do último domingo, dia 9 de agosto.

Ao ler o recado, um dos policiais telefonou para Mariana e conseguiu conversar com ela por oito minutos. Na ligação, a sargento relatou ter ingerido medicamentos. O agente alertou a unidade, que acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).

Policiais da DPJM foram até o endereço da sargento, na Rua Tavares de Macedo, em Icaraí, Zona Sul de Niterói, para tentar intervir. No entanto, ao chegarem ao local, por volta das 23h, a policial já havia efetuado um disparo contra si. O marido de Mariana, o coronel reformado Fausto Castro de Araújo Neto, foi encontrado no local em estado de choque.

A equipe do SAMU chegou cerca de 40 minutos depois e atestou o óbito. O velório da sargento Mariana será realizado nesta terça-feira, dia 11, a partir das 11h, no Cemitério Jardim da Saudade, em Paciência.

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