Saque líquido da poupança é de R$ 6,4 bi em abril

Contando dinheiro

O saque líquido da poupança alcançou R$ 6,418 bilhões em abril deste ano, conforme divulgado nesta sexta-feira (9) pelo Banco Central. O número representa a diferença entre os depósitos realizados e os saques feitos na caderneta, sendo o pior resultado para o mês desde 2022, quando as retiradas superaram os aportes em R$ 9,877 bilhões.

Apesar da marca negativa, o saldo total da poupança permanece acima de R$ 1 trilhão pelo 11º mês consecutivo, demonstrando que, mesmo diante de retiradas expressivas, a modalidade ainda conserva um volume robusto de recursos no sistema financeiro nacional.

Segundo os dados do Banco Central, no mês de abril os aportes na poupança somaram R$ 349,592 bilhões, enquanto os saques atingiram R$ 356,010 bilhões. O resultado líquido dessas operações resultou na saída líquida de mais de R$ 6 bilhões do sistema.

Mesmo com o movimento de retirada, o rendimento creditado nas contas de poupança durante o mês foi de R$ 6,512 bilhões, superando o valor do saque líquido. Esse rendimento corresponde à remuneração mensal que os poupadores recebem com base na regra atual da caderneta, que segue vinculada à taxa Selic, além da Taxa Referencial (TR).

No acumulado do ano, de janeiro a abril de 2025, a poupança já registra saídas líquidas de R$ 52,110 bilhões. Esse comportamento é atribuído por analistas ao atual cenário econômico, que inclui juros ainda elevados e maior atratividade de outras aplicações de renda fixa, como CDBs, Tesouro Direto e fundos DI, que oferecem rentabilidades superiores às da poupança tradicional.

Especialistas apontam que muitos investidores estão optando por migrar recursos para alternativas com melhor retorno, especialmente em um momento em que a inflação apresenta sinais de controle e o mercado se torna mais seletivo quanto à preservação do poder de compra.

Outro fator que contribui para os saques consecutivos é o uso da poupança como reserva emergencial. Com o aumento do custo de vida, parte da população recorre aos valores guardados para cobrir despesas mensais, como alimentação, saúde e educação, sem precisar recorrer a empréstimos ou crédito rotativo.

Mesmo com as retiradas, a poupança ainda é considerada o principal canal de investimento para pequenos poupadores, por conta da isenção de imposto de renda, liquidez imediata e facilidade de acesso. Bancos seguem oferecendo o produto como opção padrão para novos correntistas, especialmente os que movimentam valores menores.

Para o Banco Central, o comportamento da poupança segue um padrão de sazonalidade comum nos primeiros meses do ano, período em que há maior pressão sobre o orçamento familiar, com despesas como IPVA, material escolar e impostos.

Ainda assim, o saldo geral acima de R$ 1 trilhão reforça a relevância da caderneta dentro do sistema bancário, especialmente no financiamento da habitação. Grande parte dos recursos da poupança é utilizada para compor o funding de linhas de crédito imobiliário, sobretudo aquelas ligadas ao Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE).

O comportamento dos próximos meses será acompanhado de perto pelo mercado financeiro, que avalia os sinais do Banco Central sobre a trajetória da taxa Selic e seus possíveis impactos nas decisões de investimento das famílias brasileiras.

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