A Justiça do Rio de Janeiro retoma nesta sexta-feira (9) o julgamento de Vítor Belarmino, influenciador digital acusado de atropelar e matar o fisioterapeuta Fábio Toshiro em julho de 2024. Foragido há mais de dez meses, Belarmino não comparecerá novamente à audiência marcada para as 13h, na 1ª Vara Criminal da capital, no centro da cidade.
Nesta fase do processo, a juíza Alessandra da Rocha Lima Roidis ouvirá os depoimentos de jovens que estavam no veículo de luxo dirigido por Vítor no momento do acidente. As mulheres também respondem criminalmente por omissão de socorro, segundo denúncia oferecida pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.
A primeira audiência ocorreu no dia 12 de abril e contou com o depoimento de oito testemunhas, entre elas a viúva de Fábio Toshiro. Durante a sessão, a defesa do influenciador chegou a solicitar que ele fosse ouvido por videoconferência, alegando impossibilidade de comparecimento presencial. A magistrada, no entanto, negou o pedido, destacando que o réu continua em condição de foragido.
O atropelamento que deu origem ao processo aconteceu em 14 de julho de 2024, na Avenida das Américas, no bairro do Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio. Fábio Toshiro, de 31 anos, havia acabado de sair de uma celebração de casamento civil quando foi atingido ao tentar atravessar a via. Ele morreu no local.
Testemunhas relataram que o carro conduzido por Vítor Belarmino trafegava em alta velocidade e que, após o impacto, o motorista fugiu sem prestar socorro. Poucas horas depois, o veículo foi localizado abandonado em uma rua próxima. O caso teve ampla repercussão e causou comoção pública, especialmente por envolver um jovem profissional da saúde recém-casado.
Vítor Belarmino chegou a se pronunciar pela primeira vez pouco antes da retomada do julgamento. Em entrevista concedida à TV Record, o influenciador negou ter consumido bebida alcoólica no dia do acidente. Ele justificou a fuga do local dizendo ter entrado em estado de choque. “Eu fiquei desesperado, foi tudo muito rápido. Eu não sabia o que fazer”, afirmou.
A versão do acusado, no entanto, contrasta com o conteúdo das investigações conduzidas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público, que apontam elementos que reforçam a hipótese de imprudência ao volante. Laudos periciais e relatos de testemunhas indicam que o carro trafegava em velocidade acima da permitida, e há indícios de que o grupo que acompanhava Vítor teria ido a uma festa horas antes da tragédia.
O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro informou que o processo está em fase de instrução e que, após a conclusão dos depoimentos e diligências, a juíza decidirá se o caso seguirá para júri popular. Caso condenado, Vítor Belarmino poderá responder por homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de matar.
A defesa de Belarmino tenta evitar a classificação do crime como doloso, sustentando que o atropelamento foi uma fatalidade e que o influenciador não teve intenção de causar a morte. Já a acusação sustenta que houve negligência grave e fuga deliberada do local, o que agrava a responsabilidade do réu.
A família de Fábio Toshiro acompanha cada etapa do processo em busca de justiça. Em depoimentos anteriores, a viúva relatou o impacto emocional da perda repentina e a dor de não ver o réu assumir a responsabilidade pelo crime. O caso segue mobilizando a opinião pública, especialmente nas redes sociais, onde o nome do influenciador voltou a circular com a retomada das audiências.














