Uma sala de tortura e carros clonados da Polícia Civil foram encontrados em um galpão em Realengo, na Zona Oeste do Rio, durante ação da 58ª DP (Posse) nesta quarta-feira (3). O local, que possuía um cômodo com isolamento acústico para impedir que gritos fossem ouvidos, teria sido utilizado por criminosos para cativeiro e interrogatórios violentos.
No espaço, os agentes encontraram sinais de tortura, como uma cadeira com cordas, um tonel com água para afogamentos e até um gancho preso ao teto, possivelmente usado para pendurar vítimas. Além disso, sete veículos foram apreendidos, entre eles três Toyota Corolla e uma BMW X6, alguns já pintados e transformados em falsos carros da Polícia Civil.
Segundo as investigações, o galpão estaria ligado à disputa pelo controle da comunidade do Catiri, em Bangu, onde milicianos e traficantes do Comando Vermelho (CV) travam confrontos pelo domínio territorial. “O galpão estava sendo usado como cativeiro, local de tortura, guarda de veículos roubados e clonagem de viaturas. O que será apurado é qual organização criminosa estava por trás dessa estrutura”, explicou o delegado Tiago Venturini, da 58ª DP.
O imóvel foi interditado e passou por perícia para coleta de impressões digitais e outros vestígios que possam identificar os responsáveis. A polícia agora busca descobrir quem era o proprietário e qual grupo financiava a logística criminosa.
A região da Zona Oeste vive um cenário constante de violência entre milicianos e traficantes. Relatórios da Secretaria de Administração Penitenciária já apontaram a comunidade do Catiri como área estratégica para o Comando Vermelho, por sua proximidade ao Complexo de Gericinó, que abriga 22 unidades prisionais. A facção teria usado a área para arremesso de drogas e celulares para dentro dos presídios, enquanto milicianos tentam retomar o controle do território.














