O rosto de Milton Nascimento passou a integrar a paisagem da Lapa em um mural de grandes proporções instalado na lateral do prédio da Associação Cristã de Moços (ACM), na Rua da Lapa, 86. Com cerca de 300 metros quadrados, a pintura se destaca pela posição privilegiada, com vista direta para os Arcos da Lapa, um dos cartões-postais mais visitados do Rio de Janeiro.
A obra começou a ser finalizada em dezembro e transforma um ponto já conhecido da região em um novo espaço de contemplação urbana. Quem circula pela Lapa, tradicionalmente marcada por bares, música e vida noturna, agora se depara com a imagem de um dos artistas mais emblemáticos da música brasileira integrada ao cotidiano da cidade.
A inauguração oficial do mural acontece nesta quinta-feira (18), às 14h, em um evento no rooftop do Sociatel Lapa, na Rua Visconde de Maranguape. Do local, o público terá uma visão panorâmica da intervenção artística. A ação faz parte de uma iniciativa da Secretaria Especial de Direitos Humanos e Igualdade Racial do Rio.
Batizada de “Semente da Terra”, a obra foi criada e executada pela artista visual, grafiteira e arte-educadora Gugie Cavalcanti, conhecida por murais de grande escala e por trabalhos que colocam narrativas negras no centro da arte urbana. A execução contou com a assistência de Tebla, Aira oCrespo, Doog e Ricardo Coé, artistas da Zona Norte e da Baixada Fluminense, muitos deles participando pela primeira vez da produção de uma empena.
Em relato sobre o projeto, Gugie destacou o significado pessoal e coletivo da obra. “Para mim é uma honra formar essa equipe para criar uma arte gigante com o rosto do Milton Nascimento e levá-la para as ruas da Lapa, um espaço tão efervescente para a cultura carioca”, afirmou.
A artista também ressaltou o peso simbólico do homenageado e a relação da cidade com suas paredes. “Milton é uma das vozes mais potentes da história da música brasileira e seu legado tem uma força que atravessa gerações”, disse Gugie Cavalcanti.
Ao explicar a intenção da intervenção, a grafiteira destacou o convite ao olhar atento de quem passa pela região. “Com essa obra, também convidamos o público a desacelerar, observar e, sobretudo, se ver refletido na paisagem da cidade. É uma reafirmação de que a negritude está no centro da construção cultural brasileira e merece ocupar também o centro das narrativas urbanas”, declarou.














