Rogério Andrade volta a recorrer ao STF para tentar deixar a prisão

Rogério Andrade

O contraventor Rogério Andrade, preso desde outubro de 2024 e atualmente detido na Penitenciária Federal de Campo Grande, voltou a recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) na tentativa de deixar a prisão. O novo pedido, feito diretamente ao gabinete do ministro Kassio Nunes Marques, argumenta que decisões anteriores da Corte foram desrespeitadas pela Justiça fluminense e pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ).

Andrade é acusado de ser o mandante do assassinato de Fernando Iggnácio, morto em novembro de 2020, no heliponto da Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. O crime marcou o fim de uma longa disputa por heranças e pontos do jogo do bicho deixados por Castor de Andrade, lendário bicheiro carioca, tio de Rogério e sogro de Iggnácio.

A nova denúncia apresentada pelo MPRJ se baseia em mensagens criptografadas extraídas do aplicativo Wickr, que teriam reforçado a participação direta de Andrade na morte de seu rival. O MP aponta que ele usava o codinome “CapitainJacks” e discutia a ação com Márcio Araújo, o “Lobo009”. Em uma das mensagens, Andrade teria se referido à vítima ao escrever: “O cabeludo é o que interessa”.

No entanto, a defesa afirma que o Ministério Público apenas reutilizou provas já rejeitadas pelo Supremo, utilizando um “jeitinho” jurídico para tentar contornar a decisão da Corte que, em 2022, arquivou a primeira denúncia. Para os advogados, a nova ação penal é baseada em conjecturas e tenta levar à condenação de Andrade “a qualquer custo”. Eles pedem uma liminar para suspender a ação e, caso não seja concedida, ao menos a revogação da prisão preventiva.

A nova investida ocorre em meio a um histórico de decisões favoráveis a Rogério Andrade no STF. Desde que foi indicado por Jair Bolsonaro ao Supremo, o ministro Kassio Nunes Marques já proferiu diversas decisões beneficiando o contraventor ou seus familiares. Em 2021, por exemplo, ele revogou uma ordem de prisão contra Andrade quando este estava foragido. Em abril de 2024, anulou a obrigação de uso de tornozeleira eletrônica.

A nova ação judicial reacende o debate sobre os limites da atuação do Judiciário frente a denúncias graves e a influência de personagens notórios da contravenção carioca. Enquanto isso, Andrade segue preso, à espera da decisão do ministro Kassio, que pode mais uma vez mudar os rumos do processo.

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