Rogério Andrade: Justiça foca no bicheiro como mandante após condenação dos executores de Fernando Iggnácio

Rogério de Andrade

A Justiça do Rio de Janeiro agora volta suas atenções para o bicheiro Rogério Andrade, apontado como o mandante do assassinato do contraventor Fernando Iggnácio, após a condenação dos executores diretos do crime.

A condenação dos irmãos Pedro Emanuel D’Onofre Cordeiro e Otto Samuel D’Onofre Cordeiro, sentenciados a mais de 31 anos de prisão pela execução de Fernando Iggnácio, marca o fim da primeira fase do julgamento. Com isso, o foco se volta para Rogério Andrade, que responde em processo separado e já está preso em um presídio federal.

O Ministério Público do Rio de Janeiro aponta Rogério Andrade como o mandante do homicídio, que ocorreu em novembro de 2020. A investigação aponta que as ordens teriam sido transmitidas por meio de um aplicativo criptografado. A defesa de Rogério Andrade aguarda uma decisão da Justiça sobre sua possível submissão ao Tribunal do Júri.

Com a decisão desta sexta-feira (17), todos os acusados de participação direta na execução de Fernando Iggnácio foram condenados. O ex-policial militar Rodrigo Silva das Neves já havia sido sentenciado a mais de 32 anos em abril deste ano. Outro investigado, Ygor Rodrigues Santos da Cruz, conhecido como Farofa, morreu em 2022 antes de ser julgado.

Rogério Andrade aguarda julgamento pelo Tribunal do Júri

Segundo a denúncia do Ministério Público, Rogério Andrade teria ordenado a morte de Fernando Iggnácio, seu rival no mundo da contravenção. As investigações indicam que as ordens foram repassadas ao então chefe de segurança de Andrade, Mário Araújo de Souza, através do aplicativo Wickr. Fernando Iggnácio era identificado nas mensagens pelo codinome “Cabeludo”.

Rogério Andrade foi preso em outubro de 2024 e, em novembro do mesmo ano, transferido para o Presídio Federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul. Seus pedidos de liberdade foram negados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O juiz agora decidirá se Rogério Andrade será levado a júri popular.

Ex-PM acusado de monitorar a vítima

No mesmo processo, o ex-policial militar Gilmar Eneas Lisboa também responde por seu suposto envolvimento. A investigação aponta que ele monitorou Fernando Iggnácio por meses, especialmente na região de Angra dos Reis, de onde a vítima partiu no dia do crime. Gilmar era identificado como “Tribidi” nas investigações e enviava informações detalhadas sobre a rotina de Iggnácio.

Assim como Rogério Andrade, Gilmar Eneas Lisboa aguarda uma decisão judicial sobre a possibilidade de ser julgado pelo Tribunal do Júri. A participação de Gilmar, segundo o MP, foi crucial para o planejamento do assassinato.

Chefe de segurança de Rogério Andrade recorre da decisão

Mário Araújo de Souza, apontado como chefe de segurança de Rogério Andrade, também é investigado. De acordo com o Ministério Público, ele teria sido o responsável por contratar os executores e coordenar a logística do homicídio. Mário foi pronunciado para ir a júri em outubro de 2025, mas sua defesa apresentou recursos que adiaram o julgamento.

Atualmente, Mário Araújo de Souza responde ao processo em liberdade, utilizando tornozeleira eletrônica e com proibição de deixar o país. A Justiça busca definir sua responsabilidade na organização da execução.

Crime foi resultado de disputa entre contraventores

Fernando Iggnácio foi assassinado em 10 de novembro de 2020, logo após desembarcar de helicóptero no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro. A investigação conjunta do Ministério Público e da Polícia Civil concluiu que o crime foi planejado meses antes, com monitoramento e comunicação criptografada entre os envolvidos.

Com a condenação dos executores, os processos agora avançam para uma nova fase, que poderá determinar a responsabilidade de Rogério Andrade e outros acusados como mandantes e organizadores da execução. A Justiça busca respostas completas sobre o crime que abalou o cenário da contravenção.

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