Rodrigo Bacellar transferido para presídio federal em Brasília em meio a investigações de vazamento
O ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, foi transferido neste sábado (4) para a Penitenciária Federal de Brasília. A mudança ocorre dois dias após a emissão de um novo mandado de prisão contra ele, no âmbito de uma operação da Polícia Federal.
Bacellar está detido desde 27 de março, por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Ele é investigado em um processo que apura o suposto vazamento de informações sigilosas e a obstrução de investigações relacionadas ao Comando Vermelho.
A transferência para a unidade prisional em Brasília o coloca no mesmo sistema penitenciário federal de outros detidos, como o contraventor Adilsinho e o ex-deputado TH Joias. A notícia foi divulgada inicialmente pelo g1, que detalhou os desdobramentos da operação que levou à prisão de Bacellar.
Nova fase da operação policial e envolvimento de políticos
Na última quinta-feira (2), a Polícia Federal deflagrou uma nova fase da investigação. Agentes prenderam o pastor Marcio Poncio na Barra da Tijuca. Durante a operação, foi cumprido um novo mandado de prisão preventiva contra Adilsinho e um de busca e apreensão contra o ex-deputado federal Marco Antonio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral.
Essa nova etapa da investigação foi iniciada após a apreensão de listas pertencentes a Adilsinho. Tais listas indicavam registros de supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade vinculada à lavagem de dinheiro. Os documentos chamaram a atenção dos investigadores por apontarem possíveis repasses diretos de valores a agentes políticos do Estado do Rio.
Segundo a Polícia Federal, Rodrigo Bacellar aparece identificado como **“Barba”** em duas planilhas de pagamento apreendidas. O inquérito busca desarticular uma rede suspeita de repassar dados sigilosos de operações policiais, o que comprometeria ações de combate ao crime organizado no estado.
Origem da investigação: Operação Unha e Carne
A Operação Unha e Carne foi deflagrada pela primeira vez em dezembro de 2025. Na ocasião, Rodrigo Bacellar, então presidente da Alerj, tornou-se o principal alvo. De acordo com a PF, ele teria vazado informações da Operação Zargun, que visava o Comando Vermelho, beneficiando o ex-deputado TH Joias, apontado como articulador político da facção.
Ainda em dezembro, uma segunda fase da operação levou à prisão preventiva do desembargador federal Macário Ramos Judice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). A suspeita é que informações sigilosas tenham saído do Judiciário antes de chegarem a Bacellar e, posteriormente, aos investigados ligados ao Comando Vermelho.
Terceira fase e vinculação à ADPF das Favelas
Em março de 2026, a terceira fase da operação resultou em uma nova prisão de Rodrigo Bacellar. Essa prisão ocorreu após a **cassação de seu mandato** pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a apresentação de denúncia pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Foi neste momento que a Polícia Federal passou a vincular formalmente a investigação à ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas. A justificativa é que o suposto esquema de vazamentos comprometia operações de segurança pública voltadas ao enfrentamento do crime organizado no Rio de Janeiro.














