Os motoristas e cobradores de ônibus que circulam pelo Leste Fluminense aprovaram a pauta de reivindicações para a nova convenção coletiva. A categoria pede 10% de reajuste salarial, adicional de 5% por perdas e pagamento da passagem por Pix.
A decisão foi tomada após uma série de assembleias com os trabalhadores da região. O documento oficial com os pedidos já foi entregue à representação das empresas de transporte público e também encaminhado para a Justiça do Trabalho.
Rodoviários cobram reajuste de 10% e melhorias no Leste Fluminense
As reuniões organizadas pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Niterói a Arraial do Cabo, o Sintronac, reuniram profissionais de várias cidades. A última assembleia aconteceu no centro de Niterói, onde a maioria dos presentes votou a favor das propostas apresentadas pela diretoria sindical.
Além do reajuste salarial fixado em 10%, a categoria cobra um adicional de 5% para repor perdas acumuladas nos últimos anos. Outra cobrança importante é o aumento no valor do benefício da cesta básica, que os trabalhadores querem que passe para R$ 605,00 mensais. As exigências buscam recompor o poder de compra da categoria diante da inflação.
A pauta negociada agora terá validade para o período entre 1º de novembro de 2026 e 31 de outubro de 2027. Caso as empresas aceitem os termos, os novos valores começam a valer já no contracheque do próximo mês de novembro, impactando milhares de famílias na região.
Como a mudança no pagamento pode afetar quem anda de ônibus
Uma das propostas que mais chama a atenção dos passageiros é o pedido pelo fim da circulação de dinheiro vivo dentro das conduções. O sindicato quer que as empresas instalem novos validadores nas catracas, capacitados para aceitar pagamentos com cartão de débito e através do sistema Pix, além dos cartões de transporte que já funcionam hoje.
Para quem pega ônibus diariamente em Niterói ou São Gonçalo, a medida promete trazer mais agilidade no embarque e reduzir as filas no ponto. A ausência de dinheiro nos veículos também é uma reivindicação antiga da categoria para tentar aumentar a segurança de motoristas e passageiros, diminuindo o risco de assaltos durante as viagens.
Se a proposta for aprovada na mesa de negociação, as empresas de ônibus terão que adaptar toda a frota com a nova tecnologia. Isso significa que o passageiro não vai mais precisar procurar moedas ou notas pequenas na hora de embarcar para ir ao trabalho ou voltar para casa.
Quais cidades e linhas entram na proposta dos trabalhadores
A negociação coletiva promovida pelo Sintronac não abrange apenas uma cidade, mas todo o grupo de municípios do Leste Fluminense. Estão incluídos na convenção os rodoviários que trabalham nas frotas municipais e intermunicipais de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá e Tanguá.
Isso significa que o resultado das conversas vai afetar diretamente o dia a dia de centenas de milhares de passageiros que dependem dos coletivos nessas cidades. Linhas importantes que ligam os bairros periféricos aos centros urbanos e à Ponte Rio-Niterói estão no centro dessa discussão trabalhista.
O presidente do Sintronac, Rubens dos Santos Oliveira, afirmou que a pauta enviada aos empresários é realista e leva em conta a saúde financeira das viações e a situação econômica atual. Segundo o dirigente, a expectativa é de que as conversas com a classe patronal avancem sem a necessidade de paralisações no serviço.
Como fica a situação nos próximos dias e o que esperar
A pauta de reivindicações foi entregue oficialmente ao Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro, o Setrerj, que representa os donos das viações. Agora, a entidade patronal vai analisar os custos e agendar as primeiras rodadas oficiais de negociação com o sindicato dos trabalhadores.
Para garantir a transparência do processo e evitar impasse prolongado, uma cópia do documento também foi protocolada no Ministério Público do Trabalho e na Justiça do Trabalho. Por enquanto, o transporte público na região segue funcionando normalmente, sem qualquer tipo de paralisação, atraso ou operação padrão agendada.
Caso as negociações entre trabalhadores e empresas não avancem até o final do mês de outubro, a categoria pode ser convocada para novas assembleias para decidir os rumos do movimento. A orientação para a população é acompanhar os informes do transporte público local, mas sabendo que as conversas ainda estão na fase inicial de mesa de negociação.
Como buscar informações e acionar os órgãos competentes
Quem depende do transporte público no Leste Fluminense e deseja acompanhar os direitos do passageiro ou fazer reclamações sobre o serviço de ônibus pode recorrer aos canais oficiais das prefeituras e dos órgãos de fiscalização da região.
- Fiscalização de Niterói: Reclamações sobre linhas municipais podem ser feitas pelo telefone 153 ou no portal da Prefeitura de Niterói.
- Fiscalização de São Gonçalo: Problemas em linhas municipais devem ser relatados à Ouvidoria Geral do Município pelo telefone (21) 2199-6300.
- Direitos do Trabalhador e Denúncias: O Ministério Público do Trabalho da 1ª Região recebe denúncias trabalhistas através do site oficial mpt.mp.br ou presencialmente nas procuradorias do trabalho de Niterói.
- Dúvidas sobre linhas intermunicipais: Passageiros de ônibus que ligam diferentes cidades podem acionar o Departamento de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Detro-RJ) pelo telefone (21) 3883-4141.
Foto: O Dia















