Receita Federal intensifica combate ao crime organizado com novas táticas e tecnologia
O Secretário Especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, revelou em entrevista ao Metrôpoles as estratégias que estão sendo implementadas para desarticular o financiamento do crime organizado no Brasil. Após um ano da Operação Carbono Oculto, o órgão tem promovido o cancelamento sumário de CNPJs irregulares e investido em sistemas de inteligência artificial para cruzar dados e identificar atividades ilícitas.
As operações Carbono Oculto, Tank e Quasar expuseram a complexa teia de lavagem de dinheiro que se estende desde a cadeia de combustíveis até fundos de investimento e fintechs. Barreirinhas explicou que a Receita Federal agora atua de forma mais incisiva, fechando as portas de entrada para os recursos ilícitos e asfixiando o pilar financeiro das organizações criminosas.
“Estrangulamos a lógica de financiamento do crime organizado, fechamos a porta de entrada”, afirmou o secretário, destacando a eficácia do cancelamento de CNPJs como medida para impedir a movimentação financeira e a operação de empresas irregulares. Essas ações, conforme divulgadas pelo Metrôpoles, visam não apenas punir os envolvidos, mas também desestimular novas práticas criminosas.
Cancelamento de CNPJs: Uma Nova Ferramenta Contra a Irregularidade
Uma das principais novidades implementadas é a Instrução Normativa que permite o cancelamento sumário de CNPJs de empresas irregulares. Inicialmente focado em postos de combustíveis, o programa já resultou no cancelamento de 1.283 registros em todo o país. Essa medida impede que as empresas possuam contas bancárias, emitam notas fiscais ou abram filiais, promovendo a “morte financeira” da organização.
Barreirinhas ressaltou que o cancelamento do CNPJ é mais eficaz do que a simples suspensão do registro em órgãos reguladores, como a ANP no caso dos postos. Ele explicou que, ao impedir a movimentação financeira, a Receita Federal ataca o cerne do problema, tornando a operação ilegal insustentável.
Expansão da Medida e o Cruzamento de Dados com CPFs
A estratégia de cancelamento de CNPJs não se limitará ao setor de combustíveis. O secretário anunciou que a medida será estendida a fintechs com irregularidades junto ao Banco Central e a plataformas de apostas esportivas (bets) que movimentem recursos de forma irregular. O objetivo é “asfixiar o pilar financeiro do crime organizado” em diversos setores.
Além disso, a Receita Federal está aprimorando o cruzamento de dados com CPFs. Em parceria com a Secretaria Nacional de Segurança Pública e a Secretaria Nacional de Justiça, o órgão monitora pessoas ligadas a CNPJs irregulares e a “laranjas”, com o objetivo de identificar e punir os beneficiários finais do dinheiro ilícito.
Inteligência Artificial e Cooperação para Combater o Crime Financeiro
O aprendizado obtido com a Operação Carbono Oculto impulsionou o desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial pela Receita Federal. Barreirinhas informou que um sistema de análise automatizada para fundos de investimento está 90% pronto, visando identificar padrões de ocultação de patrimônio. A iniciativa busca dar um salto na qualidade dos dados e na agilidade da fiscalização.
A cooperação técnica com o Ministério Público Federal e outros órgãos estaduais tem sido fundamental. Acordos permitem a troca ágil de informações, sem a necessidade de ofícios, e a criação de ambientes seguros para o cruzamento de dados sigilosos. Essa colaboração tem sido essencial para operações como a Arena, que envolveu plataformas de apostas esportivas.
Legado e Continuidade no Combate à Corrupção
Robinson Barreirinhas expressou orgulho pelo trabalho realizado, que desmantelou um esquema de corrupção antes visto como inabalável no setor de combustíveis. Ele destacou que a atuação estatal, antes temida, agora inspira confiança e demonstra que é possível combater o crime organizado de forma eficaz.
No entanto, o secretário alertou que a vigilância deve ser contínua. O crime organizado busca constantemente novos caminhos, e a Receita Federal, em diálogo com o Ministério da Justiça e a Polícia Federal, já se antecipa a essas novas rotas. A partir de 2027, o cruzamento de informações com outros países representará mais um avanço significativo no combate à lavagem de dinheiro e à sonegação fiscal.













