Rio usa tecnologia para combater abandono escolar na rede pública

Corredor da escola

A Prefeitura do Rio de Janeiro está utilizando uma ferramenta de tecnologia educacional para conter o abandono escolar entre alunos do ensino fundamental da rede municipal. A iniciativa, em parceria com o Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS), já monitora cerca de 450 mil estudantes do sexto ao nono ano e tem demonstrado resultados promissores desde sua implementação.

A ferramenta, chamada Preditor, é capaz de identificar com antecedência alunos com maior probabilidade de abandono escolar ou de reprovação. O objetivo é permitir que a escola atue antes que o afastamento definitivo ocorra, articulando com a família e, quando necessário, com outros órgãos da rede de proteção social.

Segundo um balanço divulgado no mês passado, o índice de reprovação no segundo ciclo do ensino fundamental caiu de 2,7% em 2023 para 2% em 2024. “Cerca de dois terços dos alunos acompanhados pelo Preditor se recuperaram e foram aprovados no fim do ano. A ferramenta ajudou na identificação. A partir daí, foi feita uma análise com a participação da família sobre os motivos de notas baixas ou a razão do abandono, e se havia necessidade do envolvimento de outros órgãos”, explicou Renan Ferreirinha, secretário municipal de Educação, em depoimento ao jornal Extra.

Casos como o do jovem Alfredo, de 13 anos, exemplificam a importância da atuação precoce. A mãe, que estava em viagem e havia deixado o filho aos cuidados do pai, só soube que ele estava faltando às aulas após ser contatada pela escola. “Não havia qualquer motivo para parar de estudar, apenas ele não queria mais. Quase um ano depois, passou a estudar em uma escola de tempo integral da prefeitura e trabalha como jovem aprendiz no resto do dia”, relatou.

Outro caso bem-sucedido envolveu um adolescente de 14 anos, morador de uma comunidade da Zona Oeste. Quando deixou de frequentar a escola, a mãe só foi alertada após uma ligação da direção escolar, que atuou para trazê-lo de volta às aulas. Esses exemplos refletem como o uso da tecnologia pode ser aliado essencial para enfrentar o abandono escolar.

Com os bons resultados iniciais, o projeto está sendo expandido. Em 2025, a ferramenta Preditor passará a monitorar também os alunos da terceira à quinta série do ensino fundamental I. Apenas os dois primeiros anos, dedicados ao processo de alfabetização, ficarão de fora por enquanto.

Além da ampliação do monitoramento, o IMDS também desenvolverá um Protocolo de Ações específico para as escolas. Esse guia trará recomendações práticas para que professores e gestores saibam como agir diante de diferentes perfis de risco entre os estudantes, com base no histórico escolar de cada um.

A atuação integrada entre escola, família e poder público tem se mostrado uma estratégia eficaz. A Prefeitura também estuda maneiras de tornar o acompanhamento mais personalizado, com maior integração entre secretarias como Saúde e Desenvolvimento Social.

A expectativa é que, com a consolidação do projeto e o novo protocolo, o índice de abandono escolar continue em queda nos próximos anos. O modelo já desperta interesse de outros municípios e pode se tornar referência nacional em políticas de permanência escolar.

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