Um réu por estupro coletivo chamou atenção ao se apresentar à polícia no Rio de Janeiro usando uma camisa com a frase em inglês “Regret Nothing”, que significa “não se arrependa de nada”. A imagem do momento em que ele chega à delegacia começou a circular nas redes sociais e gerou forte repercussão.
O jovem, identificado como Vitor Hugo Simonin, de 18 anos, se apresentou na 12ª DP (Copacabana) na última quarta-feira (4). Ele chegou ao local acompanhado do advogado Ângelo Máximo, responsável por sua defesa no caso.
Segundo o advogado, a acusação contra o cliente teria sido feita de forma precipitada. Embora o próprio jovem reconheça que esteve no apartamento onde o crime teria ocorrido, ele afirma que não participou da violência denunciada.
“O fato dele estar junto não quer dizer que praticou. Vitor nega qualquer fato de cometimento do crime. Ele fala que não participou do fato. O Vitor não tem como negar que esteve no apartamento, mas o crime ele nega. A defesa vê, por enquanto, uma acusação precipitada”, declarou Máximo.
Além do processo criminal, o jovem também responde a procedimentos disciplinares por episódios de agressão física e indisciplina no Colégio Pedro II, instituição tradicional de ensino no país.
O caso também ganhou repercussão por envolver familiares do acusado. Vitor é filho do advogado José Carlos Costa Simonin, que ocupava o cargo de subsecretário estadual de Governança, Compliance e Gestão Administrativa. Após a repercussão do episódio, ele acabou sendo exonerado da função.
Nas redes sociais, o ex-subsecretário também foi alvo de críticas após publicações e mensagens relacionadas ao caso. Uma mulher registrou ocorrência na Polícia Civil após divulgar o print de uma resposta recebida em um story no Instagram.
Segundo o relato, ao comentar a foto da vítima, ele teria escrito: “Ela é sua filha? É a sua cara. Esconde esses peitos”.
Outro episódio envolveu o advogado e defensor de direitos humanos Rodrigo Mondego. Em publicação nas redes, Mondego afirmou ter recebido mensagens consideradas intimidatórias.
“O ex-subsecretário do Governo Cláudio Castro resolveu me mandar mensagem para tentar me intimidar”, escreveu o criminalista em seu perfil.
Logo depois, ele divulgou o print da mensagem recebida: “Você também está querendo cinco minutos de fama. Vai trabalhar para pagar as suas contas. Vagabundo”.
Antes da apresentação de Vitor Hugo Simonin, outros dois acusados já haviam se entregado às autoridades. Matheus Zoel Martins foi o primeiro a comparecer à delegacia. Em seguida, João Gabriel Bertho também se apresentou. Jogador do Serrano, ele acabou afastado do elenco do clube após a repercussão do caso.
Os dois foram encaminhados ao Presídio José Frederico Marques, em Benfica. Pouco depois da chegada de Vitor à delegacia, Bruno Felipe dos Santos Allegretti, de 18 anos, último foragido entre os adultos investigados, também se entregou às autoridades.
Ele compareceu à 54ª DP (Belford Roxo). Estudante da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), foi suspenso por 120 dias pela instituição enquanto o caso é apurado.
As investigações apontam que o crime ocorreu em 31 de janeiro. Câmeras de segurança do prédio registraram a entrada e saída da vítima e dos suspeitos entre 19h24 e 20h42. As imagens foram anexadas ao inquérito policial.
Segundo o relato da adolescente de 17 anos, ela teria sido submetida a violência sexual, agressões físicas e coação dentro de um apartamento localizado no sexto andar do prédio. De acordo com o depoimento, a vítima afirmou ter recebido tapas, chutes e socos durante o período em que permaneceu no local.
Um quinto envolvido no caso, um adolescente de 17 anos, também se apresentou à Polícia Civil na sexta-feira (6). Ele foi apreendido ao chegar à 54ª DP, em Belford Roxo.
De acordo com as investigações, foi esse jovem quem enviou uma mensagem por WhatsApp à vítima no início da noite do dia do crime, convidando-a para ir ao apartamento. Ele mencionou que outros amigos estariam no local e sugeriu que ela levasse uma amiga.
A vítima respondeu que não tinha companhia e decidiu ir sozinha. Segundo o depoimento, os dois se encontraram na portaria do prédio e subiram juntos no elevador. Durante o trajeto, o rapaz teria insinuado que fariam “algo diferente”, o que deixou a jovem desconfortável.
Ao chegarem ao apartamento, outros três jovens já estavam presentes. A presença de todos os envolvidos no imóvel foi confirmada pelas investigações conduzidas pela polícia.
De acordo com investigadores, o grupo também pode ter ligação com outros casos de violência sexual registrados em anos anteriores. Há apurações relacionadas a denúncias ocorridas em 2023 e 2024 envolvendo vítimas menores de idade.
Uma das denúncias aponta um episódio ocorrido em agosto de 2023, quando a vítima tinha 14 anos. Outra investigação menciona um caso que teria ocorrido durante uma festa escolar no Colégio Pedro II, em outubro do mesmo ano.
Enquanto o processo avança e novas informações surgem nas investigações, o caso segue provocando forte repercussão pública e debate nas redes sociais sobre violência contra mulheres e responsabilização dos envolvidos.














