A restauração dos vitrais da Candelária começou após mais de um século no Rio de Janeiro, marcando a primeira retirada das peças desde a instalação original, em 1899. O trabalho acontece na Igreja da Candelária, no Centro da cidade, e envolve um processo técnico detalhado para preservar um dos conjuntos artísticos mais importantes do patrimônio histórico carioca.
Os principais vitrais do coro do templo foram desmontados cuidadosamente por especialistas, em uma operação que exigiu estrutura específica, como andaimes adaptados às características das obras. Ao todo, 111 partes foram retiradas dos três vitrais principais, que representam Nossa Senhora da Candelária com o Menino Jesus e figuras de anjos anunciadores.
Segundo técnicos envolvidos no projeto, o estado das peças reflete décadas de exposição à poeira, vibrações do trânsito intenso na região e atos de vandalismo. O objetivo da intervenção é recuperar as cores originais, substituir partes danificadas e garantir maior proteção para o conjunto artístico.
“Esse é um detalhe que muita gente que visita a igreja não percebe. Para melhor visualizar a obra, o ideal é observá-la na nave central, mais perto do altar”, explicou Helder Magalhães Viana, em depoimento ao projeto.
O trabalho também tem caráter educativo. Estudantes de áreas como Museologia e Belas Artes acompanham o processo de perto, analisando técnicas de conservação, intervenções anteriores e danos acumulados ao longo do tempo.
A restauração deve durar cerca de quatro meses e inclui etapas como limpeza dos vidros originais, recuperação das pinturas com pigmentos especiais e instalação de sistemas de proteção, como telas metálicas e vidraças adicionais.
Outro ponto importante será a implantação de um sistema de ventilação próximo aos vitrais, medida que busca reduzir os efeitos da umidade, agravados pela proximidade com a Baía de Guanabara.
Grande parte das peças originais foi preservada, mantendo a autenticidade da obra. Para reposições necessárias, vidros foram importados da Alemanha, mesma origem dos materiais utilizados na construção original no século XIX.
O projeto é coordenado pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, em parceria com instituições nacionais e internacionais, e conta com investimento de aproximadamente R$ 1,6 milhão.
Além da restauração, a iniciativa prevê ações culturais, como exposição, seminário internacional e produção de um livro sobre o processo, ampliando o acesso do público à história e aos bastidores da preservação.
Mais do que uma obra de recuperação, a intervenção reafirma a importância de preservar elementos que contam a história da cidade e de sua identidade cultural.
E enquanto os vitrais ganham nova vida, o Rio revisita parte de sua própria memória — agora com um olhar mais atento ao que precisa ser preservado.














